Muito tem sido relatado a respeito da nossa querida São Paulo e há muito mais com certeza a ser dito e relembrado. Gostaria de tecer alguns comentários de alguém viajando pelo Brasil, comparando a nossa cidade com o que se vê e percebe ao redor.<br>Recentemente visitando uma cidade em Santa Catarina, fui convidado para almoçar num restaurante típico alemão com os garçons vestidos a caráter. Na hora da sobremesa, pedi um “apfelstrüdel” com bastante chantilly. O garçom não reconheceu o meu pedido, e eu expliquei que era de maçã etc… No que ele adiantou, “o único que nós temos aqui é feito de queijo”.<br>Continuando a minha andança pelo estado, entrei numa cantina italiana para jantar e como estava com fome fui logo pedindo o “couvert”. Para a minha tristeza, fui informado pelo garçom que o prato “couvert” não fazia parte do cardápio. Novamente, expliquei que era a “entrada” e mesmo assim não adiantou. No final das contas acabei “negociando” algumas azeitonas e pedacinhos de queijo, que regados a azeite foram bem saboreados.<br>Cidades como o Rio de Janeiro são incomparavelmente as mais belas do Brasil. Andando pelos bairros mais afastados do seu centro, percebe-se o descaso das autoridades e a postura das pessoas. O que chama atenção é a quantidade de crianças e jovens dormindo nas calçadas. Todos passam e ninguém parece se importar com isso. A sujeira é endêmica, e as “cuspidas” parecem fazer parte da cultura masculina, como cães marcando sua passagem pelos postes.<br>Por falta de existência e marcação das faixas nas ruas e avenidas, bem como a ausência de fiscalização efetiva, o trânsito é violento e imprevisível. Cada motorista para se locomover no caos estabelecido, age de forma individualista e agressiva, como se quisesse defender o direito conquistado sem se importar com os demais.<br>A grande maioria das igrejas e prédios históricos necessitam urgentemente de reformas ou cuidados. Ervas daninhas e até árvores crescem no alto entre as frestas, causando infiltrações de água e a ruína da estrutura. É tão fácil alguém do poder público periodicamente remover os tais indesejáveis e pelo menos prevenir maiores danos. Sou engenheiro “velho” formado há 40 anos, sinto que alguns colegas no Brasil perderam o “bom senso”, que tanto caracteriza a nossa profissão. Será que perderam o amor e o encanto pelas suas cidades, ou esperam que “seus filhos ou netos” farão o que não está sendo feito?<br>Andando por São Paulo, percebo também situações dignas de críticas, mas o que mais admiro na minha cidade é uma postura “pro ativa” das autoridades e da sociedade, quando se reclama, alguém ouve, e não havendo resposta, é posteriormente cobrado.<br><br>e-mail do autor: [email protected]