O bairro do Paraíso, nos anos de 1940/1950, foi o cenário da transição da minha infância para a juventude.
Meus avós, imigrantes libaneses, moravam na Rua Cubatão. Era impressionante o número de sírios e libaneses que habitavam aquela região. Do começo da rua, junto à Alameda Santos, até o seu final na Avenida Rodrigues Alves, encontravam-se os Cury, Azem, Younes, Jabra, Safady, Chap Chap, Haddad, Antibas, Kairalla e muitos outros, vindos de Homs, Alepo, Damasco, Beirute, Zahle, Marjayoun, Rachaia, Mimes, enfim, de todas as cidades, vilas e povoados daquela parte do Mediterrâneo.
Brincávamos que havia, também, estrangeiros no bairro; eram os Conti, Viana, Azevedo, Bullara, Soares, entre outros.
Aos domingos, caminhando pelas ruas do Paraíso, sentia-se o perfume dos temperos que eram usados para o almoço típico dos árabes: o cheiro do zattar, da hortelã, da manteiga derretida, da esfiha saindo do forno e do pão quentinho.
Aos poucos, as famílias foram crescendo e ocupando outros espaços.
Os primeiros imigrantes tinham sua residência próxima ao local de trabalho; Rua 25 de Março e Parque Dom Pedro II. Mudaram-se, depois, para o Paraíso. E, mais depois, foram se espalhando por toda São Paulo.
Daqueles tempos, sobreviveram no bairro, a Sorveteria Alaska, na Rua Rafael de Barros, já com quase cem anos de existência; a Panificadora Viana, com 70 anos, na Avenida Bernardino de Campos e a magnífica Catedral Ortodoxa, na Rua Vergueiro.
Ficaram na memória os Cines Paraíso, Leblon, Cruzeiro e Fênix; a Panificadora ABC, ponto do chope dos domingos; o Campo de Futebol dos Olímpicus (Hoje Avenida 23 de Maio) e os Colégios Ipiranga, Oriental e Ateneu Paulista.
Velhos tempos de São Paulo, sempre lembrados, maravilhosos!
(O texto original, em árabe, está em "Leia histórias de São Paulo em outros idiomas")