São Paulo foi uma cidade maravilhosa. Tempos dos bondes, que pegávamos para ir para Santo Amaro. Aqueles abertos eram charmosos. Tempos em que visitávamos o Aeroporto de Congonhas, para vermos os aviões pousando e decolando. Tempos difíceis de transporte coletivo; trem e ônibus para a Zona Leste, onde ainda moramos, era um martírio, aquele sufoco todo dia.
Tempos em que jogávamos bolinha de gude, pião, bate-lata, carrinho de rolimã. Ruas em terra, onde as águas da chuva iam facilmente para o subsolo, sem enchentes. Conversas jogadas fora, todo dia, na frente das casas. Cercas vivas das residências formadas de pinheiros (árvores de natal, espinheiros com suas flores brancas…).
Nada de muros. Roupas estendidas no quarador de grama. Empinar pipas, sem cerol, apenas para vê-las lindas no céu. Pomares nos fundos dos quintais. Jardins floridos nas frentes das casas. Chácaras com vastos pomares, onde roubávamos frutas – às vezes levávamos tiros de espingarda de sal grosso.
Escolas do governo, onde o ensino era excelente e respeitávamos muito os professores. Hoje, sem comentários…
Felicidade é que muitos viveram tudo isso e hoje sabem dar valor às coisas simples.