Eu era ainda menino, 1943, morador nas Perdizes, Rua João Ramalho, 277, de lá até ao Estádio do Pacaembu era um pulo: bastavam apenas 15 minutos, andando sem pressa.
Assistia desde o jogo dos aspirantes, que precedia a partida principal. E a minha paixão pelo futebol começou com o time do São Paulo, jogando contra o Juventus, num sábado, sem sol, meio chuvoso.
Estava agarrado ao alambrado, com os olhos arregalados nos jogadores, como se ídolos meus já fossem. E nesse dia aconteceu o frenesi da minha vida.
Fui testemunha como muitos – agora são poucos os vivos para contar – do famoso e lendário gol de bicicleta do "Diamante Negro", o Leônidas da Silva. Parece, até, que foi hoje.
Leônidas, em pleno ar, com o pé esquerdo, mandou, de costas, a bola para o fundo do gol juventino, que ficava do lado da entrada do Pacaembu.
Na equipe os campeões de 1943: King (Gijo e Mário), Piolin (Savério) e Vergilio (Renganeschi); Zezé Procópio (Bauer), Rui e Noronha (Zarzur); Luizinho (Barrios e Friaça), Sastre (Ponce de Leon), Leônidas, Remo e Pardal (Teixerinha), treinados por Jorge Gomes Lima, o "Joreca".
O São Paulo ainda levantou os títulos paulistas de 45, 46, 48 e 49 dos quais participei, como expectador, em todos os jogos vencidos ou perdidos. No Pacaembu ou no Parque Antarctica.
Mas foi exatamente a 15 de dezembro de 1946 a minha grande emoção, como torcedor do "Mais Querido", na despedida do argentino Sastre "El Maestro", jogando contra o River Plate, diante de mais de 70 mil pessoas + 1, que o aplaudiram de pé no Pacaembu.
No ano de 1948, ganhamos o título com os campeões mundiais de 1958, na Suécia, o Vicente Feola, treinador, e o Mauro, beque central.
Nesse ano eu era o goleiro, conhecido como "Xavier", do Colégio Rio Branco. Tinha apenas 17 anos quando fui convidado a treinar no "Tricolor do Canindé", pelo próprio Feola.
Treinei no time principal, com o Mauro, campeão mundial em 1958 na Suécia, como zagueiro. Dei vexame e perdi as contas dos gols que levei, talvez pela falta de experiência de jogar num campo grande, o oficial.
Naquela manhã, estava no banco, assistindo ao treino, o Leônidas, que não jogava mais. Ainda joguei, como titular, naquele mesmo dia, num campo menor, como goleiro do juvenil do São Paulo, contra o Colégio São Bento, apagando o vexame do treino daquela manhã.
Hoje, 64 anos depois, continuo a ser um sãopaulino roxo e orgulhoso, por um clube que já conquistou todos os principais títulos do mundo. Não falta nenhum mais. Falta?
e-mail do autor: [email protected]