1948, menino, vim para a maravilhosa cidade de São Paulo… Viagem de trem, “Mogiana”, baldeação em Campinas, Cia Paulista… E aos meus olhos, cada detalhe era explicado pelo experiente pai, que já estivera algumas vezes na grande cidade:
-“Olha o Martinelli… O Charuto (Banco de Estado)… O Mercado Municipal..”
Cada passo era algo mais grandioso!
Depois de uma parada na casa do tio, fomos para nossa nova casa. Chegamos… Os irmãos mais velhos já estavam nos esperando. Subimos alguns degraus e uma porta se abriu, mas tudo estava tão esquisito, apenas uma porta, uma cozinha, uma sala, dois pequenos quartos… Mas cadê o quintal?Não, não tinha….
Ao acordar no dia seguinte, perdido, num pequeno espaço, procurei saídas, que não existiam, fui até a janela do quarto e a paisagem era totalmente estranha: telhados e casas desconhecidas…
Meu pessoal estava totalmente envolvido em arrumar as poucas coisas trazidas, mas as únicas que tínhamos… Eu estava completamente deslocado…
Arrisquei uma olhada, para fora, e topei com um menino sorridente; que simplesmente disse:
-“Vamos brincar?”
E brincamos por muitos anos…E squeci o grande quintal; as mangueiras; o Rio Jaguari, onde a mãe lavava roupa, e meu irmão pescava suas piabas…..
São Paulo me absorveu… E a luta continuou por muitos anos… Hoje, de volta ao interior, fico aqui matutando, a grande arena de luta, que a cidade me ofereceu; onde, apesar de algumas derrotas, as vitórias foram mais importantes…
E-mail: [email protected]