Uma mesa para três

Esta historia aconteceu em meados dos anos 60, eu tinha 20 anos de idade. Na nossa mocidade éramos muito aventureiros, para namorar, para ir ao cinema, ao futebol. Eu trabalhava com o meu irmão, que tinha um estúdio de fotografia na Rua Vergueiro, ao lado do Sandu (onde esta localizada atualmente a estação Vergueiro do metrô).

Eu ganhava pouco, mas sempre arranjava varias namoradas e era um sufoco levá-las ao cinema, marcava já dentro do cinema e sempre tinha vários “drops” no bolso (pelo menos isso) e já ia oferecendo as balas e namorávamos sossegados até o fim do filme.

Até que um dia eu conheci uma linda loira, com um corpão maravilhoso. Ficamos conversando horas e marcamos um encontro, no cinema. Até que no dia do encontro eu tinha um bom dinheiro no bolso, fomos ao Cine Majestic, na Rua Augusta, depois do cinema fomos comer um lanche na lanchonete Frevinho, que ficava ao lado do cinema.

Pelo menos no primeiro encontro deu tudo certo, fiz uma “presença” legal. Mas depois eu não conseguia arranjar um bom dinheiro para sair e namorar, e estava sempre desmarcando os encontros com as namoradas, ate que o destino me pregou uma das peças mais terríveis.

Era noite de sexta feira, estava chovendo eu ia para casa eram umas nove horas, quando de repente eu escuto alguém chamar o meu nome, era a linda loira, estava acompanhada de uma amiga, ela falou:
– “Você sumiu! Não ligou mais… O que houve?”.

Eu disse que andava muito ocupado com o trabalho. E então ela falou:
– “Bem, agora não tem desculpa. Vamos tomar um chopp, no Bar Aladim”. (Este bar ficava na Avenida Bernardino de Campos, no Paraíso, era um bar restaurante com varias mesas na porta, parecia um terraço).

Não tive escolha, não consegui despistar a loira e estava com pouco dinheiro no bolso, não sabia o que fazer… E assim fomos para o bar. Chegando lá a loira falou ao garçom:
– “Uma mesa para três”.

Sentamos e logo a loira foi pedindo “chopps” e esfiha, e pasteizinhos… Eu fui até o banheiro, não sabia como iria fazer para pagar a conta, na saída do banheiro pedi ao garçom para me levar até o gerente, mas o mesmo não estava no bar. Então voltei para a mesa e falei:
– “Seja o que Deus quiser. Vou comer e beber, o resto eu não sei no que vai dar. Vou deixar nas mãos de Deus”.

A loira pedia, e pedia mais “chopps”, batatinhas, etc. Até que uma hora elas foram ao banheiro e eu fiquei sozinho na mesa. Foi ai que eu tive a brilhante ideia de sai correndo, fui devagarzinho ate a porta do bar e sai em uma carreira só.

Cheguei a Praça Oswaldo Cruz e tive a sorte de pegar o meu ônibus vazio àquela hora, Sentei-me no ônibus e senti um alivio muito grande.

Sei que não fiz papel de homem, mas não tinha dinheiro, iria passar vergonha, e a loira também foi muito insistente. Não sei como acabou a historia, nunca mais a vi ou liguei para ela. Acredito que tudo terminou bem.

Quando somos moços fazemos algumas coisas sem pensar. Graças a Deus nunca mais a vi.

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