O primeiro carro que entrou em casa, ou melhor, em nossa garagem, nos anos 60, foi um DKW vermelho, importado, daqueles que as portas abriam ao contrário. Era uma festa!
Lembro-me especialmente de uma vez que descemos a serra pela Estrada Velha e, em uma das tantas curvas, faltou freio. Meu irmão, tremendo piloto, segurou o carro usando artimanhas de estradeiro, solucionou o caso, e lá fomos nós em direção ao oceano. Passado o susto, a farra voltou.
Depois, no planalto de Piratininga, quando este "causo" era contado na escola, nos encontros familiares, um arrepio tomava conta dos ouvintes, porque exagerávamos no perigo, mas não foi tanto assim.
Naquele tempo cruzar São Paulo era fácil. Descer a serra era uma moleza, rodava-se um bom tempo sem ver outro carro na estrada. Em Santos, menino, em contato com o mar imenso, em determinados momentos eu pensava em meus nonos, Colombis e Bronquetis, nossos ascendentes que um dia, como tantos outros, embarcaram na Itália com o sonho da América, mas isso passava logo e intensificava a caça às “Marias-farinhas” que era muito mais interessante.
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