Meu nome e Maria Honória de Sousa, nascida em 24/04/59, no povoado de Jaramataia, sertão de Juazeiro da Bahia, criada com muita liberdade, ingenuidade, amor a natureza, enfim, em meio a muito verde no tempo das chuvas e na falta dela muita seca, mas era o que tinha a oferecer. Era muita tranqüilidade, paz, harmonia, tudo que se precisa para crescer com tranqüilidade, sem medos nenhum, aliás tinha um só medo, era o de Cigano pois diziam os mais velhos que eles roubavam crianças.<br>Morava com minha avó materna, pois a minha mãe havia falecido quando eu tinha 1 ano de vida e meu irmão apenas 03 meses, então fui muito bem criada pela minha avó Filadelfhia que ficou viúva muito jovem e com 07 filhos para criar mais 02 netos. Com o passar dos tempos meus tios foram crescendo e de um em um foram vindo embora para São Paulo. A cada ano que passavam aqui, tiravam férias e iam nos visitar e assim sendo cada vez que voltavam das férias traziam sempre um irmão e assim, sucessivamente, foram vindo todos os mais velhos ficando apenas eu, meu irmão e meu tio caçula. A minha avó vinha todos os anos à São Paulo para visitar os filhos e conhecer os netos paulistas.<br>Vejam só como são as coisas por aqui, quando mãe voltava, ela nos contava como era São Paulo, dizia que tinha uma rua que só passava gente, quando chegava nesta rua só via as cabeças das pessoas. Aquilo era tanta gente que impressionava! Ah, também me lembro que ela dizia que aqui as pessoas não viam o céu, e isso era o que mais me impressionava: como não ver o céu? Eram tantas as histórias que ela falava que hoje eu sei que conheci um pouco de SP muito antes de chegar; em 1972 os meus tios mandaram nos buscar e assim deixamos toda nossa vida para atrás com muita dor no coração. Viajamos 03 dias até que chegamos na famosa SP, meu Deus quanta coisa que eu nunca tinha visto! Que medo tive de tudo por aqui, foi difícil demais a vida para mim, eu me sentia uma formiguinha. Mas passaram-se os anos e fui me moldando aos costumes de cidade grande, escola, ruas, carros faróis, nossa …<br>Hoje, 35 anos depois, posso dizer que amo São Paulo, nunca esqueci minha Jaramataia, sempre que posso viajo e lá digo que sou uma Baiana Paulista, casei, tenho 02 filhos que também adoram São Paulo e aprenderam desde pequenos a conhecer todos os pontos principais e históricos da cidade, quando estudavam 1º e 2º grau levavam os amigos para fazer trabalhos no centro da cidade, pois estes não conheciam nada pelo Centro, o que eu acho um absurdo: ver as pessoas nascidas e criadas aqui não conhecerem sua própria cidade.