Alô, São Paulo. Lembro-me como se fosse hoje. Tomei o ônibus e fui para São Paulo. O coração batia forte. Haviam-me advertido dos riscos que correria numa cidade grande. Conselho dado e ouvido. Quando você chegar à Rodoviária, a primeira coisa que irá lhe acontecer. Vão lhe roubar a mala. Fiquei com medo, mas fui do mesmo jeito. Precisava conhecer novos desafios. Levei uns poucos recursos. Em quinze dias eles se foram. Mas, pasmem, já estava empregado.
Consegui uma vaga num escritório de auditoria, a Organização Irmãos Campos de São Paulo, situada no 7º andar da Rua Marconi. Estava aturdido pelo tamanho da metrópole. Como iria me situar, para não me perder. Assim era chamado esse perigo imaginário. "Perder-se" em uma cidade grande. Pensando bem e com a experiência que temos atualmente é bobagem, pois se podem pedir informações ou recorrer a um táxi, e pronto estaremos em casa novamente. Porém, tal risco se fazia presente para um inexperiente jovem de 19 anos. Perder-se significava necessitar de ajuda da Polícia e isso para nós era vergonhoso.
Então o remédio era conhecer a cidade, sem perder-se. Parece, repito, ser uma bobagem, mas não era em nossa consciência. Além disso, as dificuldades de adaptação, a necessidade de se deslocar pelas ruas paulistanas e inteiramente só, para chegar ao "nosso" endereço. Nosso, uma vírgula. Em terra de estranhos nada é nosso. Tudo é propriedade desses estranhos.
A providência divina, no entanto, caminha conosco. Essa aventura que lhes conto, ocorrida há quarenta anos, durou pouco menos de três anos. Agora um pouco acomodado em minha casa, agora sim, esta é a minha propriedade, graças a Deus, e do meu computador, com auxilio dessa ferramenta chamada internet, posso entrar também em casas estranhas, não tão estranhas assim para alguns de vocês que se correspondem conosco.
Ah, quase ia esquecendo… A mala ficou comigo todo o tempo e ninguém a levou.
Seria mais uma alegria e um prazer, alem desse de contar a vocês essa minha ida a São Paulo, contar com seu comentário.