Santana – O meu bairro

Nasci na rua Dr. Zuquim nos idos de 37, onde nenhuma rua, com exceção a Voluntários da Pátria, era pavimentada. Perto do córrego que corria pela, hoje, Av. Gal.Ataliba Leonel, passando pelo campo do Radium FC no fim da rua Jovita. Ao lado da Penitenciária do Estado havia uma vila dos funcionários, tudo cercado de jabuticabeiras (até hoje elas existem) e onde passava o trem que ia para o Tucuruvi! Mais tarde, já morando na Rua Ezequiel Freire, esperava toda manhã o cidadão que trazia as cabras, com a madrinha à frente e seu guizo, para tomar meu leite de cabra com açúcar e duas gotas de vinho do Porto, uma delícia, e à noite com o medo dos treinamentos de blackoutes, já era guerra na Europa. A Av. Cruzeiro do Sul era apenas um caminho do trem que vinha da Cantareira, subindo e descendo e a Maria Fumaça apitando, com direção ao Horto Florestal. Nesse tempo a gente saia à rua a qualquer hora do dia e da noite sem nenhum perigo, seja para pescar em baixo da ponte onde passava o trem em cima do rio Tietê (sim, rio Tietê para pescar lambaris e bagres!) na Cruzeiro do Sul, como correr atrás de balcões que sempre caiam na penitenciaria. Escola pública na época era um luxo e a escola estadual na Cruzeiro era disputadíssima pelo tipo de ensino e educação. Vi a rede de esgotos ser colocada na Zuquim com nove metros de profundidade e depois pavimentada com paralelepípedos (os macacos). O Balilarino já era motorneiro de bondes, o mais alegre e prestativo, mandando ver no bonde Olavo Egídio, o nº 42, em direção ao Largo de São Bento.
Vou parar por aqui pois a emoção de escrever no dia de aniversário desta linda cidade, e o assunto, já está dando para um nó.
Prometo voltar para contar mais coisas do tempo e do maravilhoso bairro de Santana. Tem muita coisa!