Santa Rita de Cássia, a santa das causas impossíveis, nasceu na Úmbria, Itália, em maio de 1381. Tinha como única fonte de conhecimentos o Crucifixo. Sua vida foi muito difícil, basta olhar para o que passou com seu marido, seus filhos e no próprio convento. Sempre encarou suas inúmeras dificuldades e revezes com serenidade e com esperança no futuro.
Meus pais eram devotos dela, principalmente minha mãe. Tinham sobre a cabeceira da cama uma sua imagem, colorida, com traços de asas de borboleta, em uma moldura oval.
Há muitos anos ganhei de um amigo colecionador uma imagem da santa com cerca de quarenta centímetros de altura. Outro amigo me deu um nicho para colocá-la. Suas mãos frente ao corpo estavam vazias e foram ocupadas por um crucifixo presenteado por minha mãe, que não é necessário dizer o quanto ficou exultante.
As famílias de meus pais eram numerosas, de modo que tive mais de vinte tios e tias. Com o tempo, todos viajaram fora do combinado (como diz Rolando Boldrin)…
Deus nos concedeu algo maravilhoso que se chama memória. E è por intermédio dela que constato que todos eles ainda vivem. Posso, por meio dela, ver meu tio Bidoca em sua oficina fazendo milagres com o torno e suas ferramentas; posso ver e conversar com meu tio Armando sobre sua viagem à Itália; posso, na casa de minha tia Mariquinha, ver, ouvir e tocar um piano mecânico que emite som graças a um rolo perfurado. Posso ouvir da casa de um seu vizinho um concerto para piano, de algo que depois descobri que se chamava vitrola; posso degustar pratos incomuns na casa de minha tia Teresa; posso voltar a ir aos domingos à casa de meus avós no Brás, na Rua Alegria e ver meu avô fazer carteiras para notas. Posso, enfim, no momento em que eu desejar, estar novamente com eles. Posso saber que a morte não existe!
Com o passar das várias décadas de minha existência, compreendi que só é possível obter o que se deseja com o devido merecimento, principalmente se o que se deseja é útil e não causará problemas futuros.
Santa Rita é (como dizem os fiéis) uma santa poderosa, mas esquecem que é também justa e sábia. Sua vida a ensinou. Hoje só, com minhas duas filhas, depois que minha mulher também foi juntar-se aos parentes, no meu quarto a velha imagem está na cabeceira da cama. Confesso que por mais de uma vez, orei e pedi algo a Ela, mas sei também que o mais importante é que Ela vela dia e noite por mim.
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