Infância descomputadorizada

Existia sim, acredite! Hoje não mais! A gente até "raciocinava". Na escola, a gente usava a "cachola", não tinha esse negócio de calculadora e assinalar alternativas. Tinha que estudar mesmo, em colégio particular ou do Estado, hoje não mais!

Nós tínhamos raciocínio e imaginação, me refiro aqui aos tempos de grupo escolar, é claro, e naquela época surgiram as "coisas e geringonças" que fazíamos. Carrinhos de rolimã, pipas, balões, rodar peão, jogar bolinhas de gude, bater figurinhas, beber água direto na mangueira, andar descalço, jogar bola, tocar campainha no vizinho e sair correndo, andar de bicicleta, e depois matar a sede em um empório, em uma padaria, na venda, tanto faz.

Naquele tempo não havia lanchonete, Bob's, McDonald's, “China in Box”… Nem supermercado tinha, a gente comprava mesmo era no mercado municipal e nas feiras livres, essas ainda resistiram!

Nós íamos às festas juninas e aniversários, discutíamos futebol (sem entender nada), íamos ao cinema ver filmes de “cowboy” como “O Dólar Furado”, “Trinity” e outros, mas em seguida vieram as televisões (a válvula) as quais transmitiam nossos filmes preferidos: Aventura submarina, Papai sabe nada, “Bat Masterson”, “Roy Rogger's (minha nossa)”, “O agente 77”, e muitos outros que nos faziam sonhar e não perdíamos nada. E vieram as televisões, marcas Emerson, Invictus, GE, e outras que revolucionaram horas e horas de nossas atenções, mas a gente ainda assim, raciocinava.

Respeitávamos os pais, os irmãos, os conceitos, o natal, o ano novo, o abraço sincero, a química absurda de um olhar amigo e brando. Nós viajávamos, íamos à praia, conhecíamos outras pessoas, fazíamos novas amizades. Sentíamos saudades das pessoas (que coisa incrível), dividíamos as coisas possíveis, fazíamos favores a alguém, a uma senhora, a um senhor, a um amigo.

Tínhamos confiança, reciprocidade, senso de “estar” humano e não só de ser humano (incrível), hoje…

Mas procurei rever meus conceitos, é claro, hoje mexemos em internet, celulares com isso, com aquilo. Sim! Sou adepto as novas tecnologias e tudo o que pode ajudar e humanizar.

Quando vejo minha netinha Julia, de um aninho, dando seus primeiros passos, digo a mim mesmo que sou um privilegiado, nem na megasena jogo mais, só na lotofácil (às vezes), mas olhando pra ela, entendo que, eles até poderiam ainda hoje aceitar conselhos dos mais "velhos", na mesma proporção na qual aceito e compreendo os impulsos inovadores da juventude!

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