Santa Casa de Misericórdia

Quando o dia começava a clarear, eu já estava no ponto da Avenida Santo Amaro esperando pelo ônibus que me deixaria bem perto da Rua Dr. Cesário Mota Jr., no bairro de Santa Cecília. Praticamente uma hora o percurso: Avenida Santo Amaro, Brigadeiro Luiz Antonio, um pedaço da Alameda Santos, Avenida Paulista e Consolação.

Ao descer do ônibus, eu atravessava a rua e, com cuidado, ia desviando das pessoas que dormiam debaixo do viaduto. Andava mais um quarteirão agora, driblando o lixo espalhado pelas ruas até chegar naquele complexo: Santa Casa de Misericórdia.

Durante um bom tempo, uma vez por mês, lá estava eu diante daquele prédio. Foram muitas as vezes em que confundi os setores. Era chegar e enfrentar a escadaria – já com os degraus repletos de pessoas sentadas, esperando a vez para serem atendidas -, atravessar todo o hall do andar – a esta altura, também já repleto – e alcançar o Pavilhão Conde de Lara. Daí era chegar no guichê e entregar para Dona Maria toda a documentação exigida, assinar o protocolo, descer até o porão para os devidos carimbos, voltar para o terceiro andar e retirar a receita necessária.

Em todas as vezes em que lá estive, sempre fui muito bem atendida e sempre tive todas as minhas dúvidas esclarecidas.

A Santa Casa de Misericórdia chega a ser assustadora, de tão grande. Só mesmo estando lá dentro, em um dos seus prédios, é possível ter uma pequena idéia do seu tamanho, da quantidade de médicos, enfermeiros e funcionários que entram e saem das salas, dos pavilhões, dos elevadores que descem e sobem as escadas, e das milhares de pessoas que circulam por toda Santa Casa para serem atendidas.

Um dos médicos, uma vez, me disse que circulam por dia, pelo menos, cinco mil pessoas só pelos ambulatórios.

Impossível não se emocionar com tudo o que vemos pela Santa Casa. Quase todas as vezes eu deixei o prédio com o coração apertado, tentando respirar, respirar profundamente, para ajudar o coração a voltar para o seu compasso normal. E foi numa dessas vezes que entrei pela primeira vez na aconchegante e belíssima capela projetada por arquitetos italianos e construída em 1895. Tem, em seu altar, a imagem do Sagrado Coração de Jesus e, nas laterais, a imagem de São José e Imaculada Conceição. Os vitrais e os azulejos decorados contribuem para a beleza do espaço, que acolhe todos os dias muitos fiéis.

Em outra oportunidade, depois de assistir a uma das palestras dadas pelo Dr. Charles Tilbery, responsável por um dos setores da Santa Casa, fui conhecer o museu que, dentre as peças, tem a famosa Roda dos Expostos, peça rotativa feita em madeira de pinha de riga, com uma abertura em que era deixado o rejeitado recém-nascido.

Também aproveitei para caminhar pelos lindos e bem cuidados jardins da Santa Casa!

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