Vendo uma foto de um portal, onde há uma saudação em azulejos, lembrei-me de alguns restaurantes com coisas parecidas.
Deve ser um costume europeu, mais notadamente italiano. Aparentado com botar um capacho de "bem-vindo" à porta, esse hábito fica como uma marca registrada do restaurante, ou cantina, e quando nos lembramos do lugar, o dístico está sempre presente.
Assim, se tivermos a sorte de conseguir uma mesa no tradicional Giardino di Napoli, somos recebidos pelo pitoresco dito, estampado junto ao balcão: "siammo tutti buona gente, ma qui nessun é fezzo".
É um humor bem napolitano, muito bem representado pelos Buonerba.
Já no Capuano, o mais antigo da cidade, podemos avistar entre as generosas porções de orechitelli e braccciolas, um azulejo que adverte: "qui vuó o male a questa casa, che va crepá, prima che trase".
É puro dialeto napolitano e diz algo como: – "Quem quer mal a esta casa, que se exploda, antes de entrar!"
Lembro que no Gato que Ri, abaixo do simpático gatinho sorridente, outra legenda – "Qui se mangia sano". Faz tempo que não vou lá, mas acho que o dito permanece.
Certa vez, em Londres, vi à porta de um pub a famosa frase "honni soit qui mal y pense", emoldurada pela Ordem da Jarreteira. E por aí vão os dísticos, slogans e dichotes do mundo.
Geralmente, não há porquê pensar mal, você será bem servido no estabelecimento. Mas, por via das dúvidas, fique sempre de olho aberto. Afinal," nessun´é fezzo," como dizem os Buonerba!
Só tome cuidado se, à entrada, houver o letreiro "lasciate qui ogna speranza, o vuoi che entrate", e de lá do fundo vier um calor danado, com um bafo de fumaça sulfurosa.
Neste caso, recomendo dar meia volta e encarar o boteco da esquina, por mais sujinho que seja.