Os refrigerantes de nossa infância! Coisa hoje de se comprar em qualquer máquina automática, eram então raros e preciosos. O néctar dos deuses, para qualquer criança.
Creio que minha iniciação no tema foi com Guaraná. Da Antarctica. Embora o gôsto fôsse muito próximo, ou mesmo igual, ao de hoje, o Guaraná alardeava um atributo nobre: Guaraná Champanhe.
Lembro-me em Campinas, aguardando com meus pais e irmão o ônibus para São Paulo.
Para lanche de espera? Guaraná Champanhe e o que hoje chamamos "mixto frio": pão de fôrma, sem casca, recheado de presunto, queijo prato e um toque de manteiga. Hmmmm!
E as versões das garrafas? O Caçula,o Paulistinha…
Aqui na capital,fui apresentado a um refrigerante que, ainda que eu ainda não soubesse, já era o mais popular do mundo. A internacional Coca Cola. Isto deu-se na Leiteiria Pereira, na R.São Bento, creio que logo após a segunda guerra mundial. Os americanos já estavam com tudo, mas a princípio detestei o seu refrigerante.
E não fui o único. Meu amigo Sylvio, a "Velha Serpente", comparou seu gôsto, então, com o Sabão Aristolino! E o jingle;-Coca Cola,Coca Cola,oi,me faz um bem…
É a fôrça da grana que forma opiniões,e depois a gente se acostuma,ou foi o sabor da Coca é que melhorou. Hoje bebo-a bem, com seu sabor sóbrio contrastando com o esfuziante Guaraná. Mas sempre na versão Light, dado ao avançado da hora.
Um dia,subindo a R.Albuquerque Lins,ou seja, da casa de minha tia Zilda em direção à Pça.Marechal, vi numa vitrine de bar um cartaz com uma marca estranha, impronunciável para uma simples criança: SevenUp. Como se lia aquilo? Seja como fôr, apesar do nome, a Seven Up não me impressionou.
Outras marcas, que não me marcaram muito…Crush,Soda Limonada,Tônica,Fanta. Muitos anos depois iria,com família,tomar Fanta aos litros, na Italia,enfrentando um terrível Ferragosto!
E a Tubaína,ou Taubaína como também se dizia,o Guaraná dos pobres? O seu gôsto era duvidoso, não se definia se era Guaraná, Soda,ou o quê. Hoje ganhou mais status,mas para mim continua estranha. Uma de suas maiores produtoras,a Schincariol, de Itu, hoje produz também um Guaraná,e muito bom!
E a Grapette, do título? Estava esquecendo dela. Seu slogan era:-quem toma Grapette, repete.
Lembro-me de uma vez.Estávamos,1950,no Rio de Janeiro,na Ponte de Tábuas.
Em outros tempos devia ter existido a tal ponte ali,mas o que víamos eram os paralepípedos da Rua Jardim Botânico,esquina com Pacheco Leão.Perto do que mais tarde seria a Tv Globo.
Ali,num barzinho,com meus pais e os tios cariocas,experimentamos a rara Grapette,com gôsto de suco de uva.E não repetimos a experiência,mesmo porquê nunca mais a encontrei,aqui em São Paulo. Com ela,ou sem,brindemos.Vivam os refrigerantes da nossa infância!