Meu nome é Fortunato Montone e, logicamente, além de ser descendente de italianos, com muito orgulho sou do Braz, e nos incríveis anos 60 e 70, além de sempre me interessar e procurar sempre que possível ouvir as histórias do meu velho e querido Braz (não importava de que época), procurava estar sempre antenado com os acontecimentos. Meu pai era assinante de algumas revistas, e, além disso, lia diariamente jornais.
Como para mim estávamos saindo da era do rádio e entrando na era da televisão, essa mudança foi quase que imperceptível, porque ouvia constantemente rádio (que obviamente na época era mais, digamos, imediato do que a TV) e o "ouvia" ao deitar, quando acordava, e principalmente quando chegava para o almoço em casa.
No final dos anos 60, aprendi a "ouvir" os programas do conhecido e memorável Hélio Ribeiro, que reputo na minha simples opinião como o maior ícone do rádio paulista. Todos os dias, ao lado de minha mãe e meus irmãos, ouvia "o correspondente musical", "o poder da mensagem". Vibrávamos quando ele cantarolava e traduzia músicas maravilhosas, proferia textos igualmente maravilhosos, opiniões "exemplares". Até aí eu não sabia que o Hélio era o José, que o Ribeiro era o Magnoli, e que nós tínhamos as mesmas origens.
Um dia, e que dia, por obra do destino, trabalhando em uma empresa de turismo, já nos anos 70, oferecendo por telefone a um possível cliente um pacote de viagem, marquei uma visita para fechar a venda, e para minha surpresa o endereço dele era o Edifício Radiantes (Rádio Bandeirantes) no Morumbi (trabalhava no escritório da rádio). Perguntei a ele: “será que eu poderia ir exatamente no horário do programa do Hélio Ribeiro?”. “Lógico…”.
No dia seguinte fomos eu e minha "namorada", e tive a oportunidade de assistir sabe quem? Sabe quem? Simplesmente Hélio Ribeiro, ao vivo e a cores.
Nós lá, embriagados, vendo e ouvindo, quando de repente Hélio Ribeiro estalou os dedos e pediu para o Johnny Black (sim, o próprio Johnny), famoso porque era seu assistente, e todo o dia mencionava e brincava no ar com ele, apontando para mim e minha "namorada" solicitando nossa entrada no estúdio e participar do programa no ar. Lógico, me senti o máximo.
Falamos uns cinco minutos, ele nos perguntava sobre o que pensávamos para o futuro, sobre nosso namoro etc. Foi o bastante para termos naquela época cinco minutos (não quinze minutos) de fama. Estávamos no programa de maior audiência e, para mim e para milhares de pessoas, no programa de maior importância do rádio.
A partir daí, como já admirava o Hélio Ribeiro, passei a admirar também o José, aquele José Magnoli da Mooca, oriundi e simplesmente o "deus" do rádio.
Quando chegamos, por onde passávamos nos perguntavam, eram vocês que estavam no programa do Hélio Ribeiro? E nós, com ar de importância, respondíamos que sim e contávamos nossa "epopéia".
E.t: minha "namorada'' daquela época é hoje minha esposa. Nos conhecemos desde 1964, casamos no ano que fomos ao programa (1974), temos dois filhos maravilhosos, moramos na Mooca. Lembramos do Hélio Ribeiro sempre, e agora, já há uns oito anos, temos alguns cd’s adquiridos por intermédio do memorial do Hélio Ribeiro, e sempre que tenho oportunidade viajo literalmente, ouvindo… Sabe quem? Sabe quem? O filho de Marconi, o pai do rádio, José/Hélio/Magnoli/Ribeiro.
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