Sábado Paulistano

Noite; os ponteiros do relógio seguem inexoravelmente marcando as horas e se aproximando do limiar de um novo dia.

Início de outono, a temperatura se amenizando, prenunciando o fim de um calor sufocante, como nunca dantes a nossa capital paulistana sofreu; dizem que foram os dias de maiores temperaturas desde o século passado, ano de 1943. Acredito!

Desligo o ar-condicionado, que estava ligado no mínimo e vou ao jardim de minha casa aguardar a chegada dos familiares que foram ao Shopping passear… e lanchar…quase meia-noite…

Aqui o silêncio é uma dádiva, o que propicia devanear e recordar os tempos em que éramos (irmão) crianças no interior e cujos passeios era ir a cavalo/charrete na "cidade" de Pongaí, que ficava uns três quilômetros da fazenda em que morávamos.

A memória me trás pequenos lances de recordações, nos quais ainda vejo aquele por do sol de raios lânguidos e coloração dourada e meio avermelhada.

A lua, quando íamos a caminho pela estrada de terra, já surgindo no céu cujo brilho ora sim, ora não, as copas das altas árvores ofuscavam, como se balouçando os fulgores luminosos que dela emanavam.

O uivo lânguido do cão de um vizinho, me trás de volta ao presente, mas pensativo continuo e indago: será que o mundo de hoje, que meus netos estão começando a viver, lhes propiciará lembranças que acredito que a maioria de nós tem, de uma vida bucólica que não mais existe?

Quando avós forem a nostalgia deles, provavelmente, será:

"Lembro-me das luzes reluzentes dos Shoppings, McDonald's, do trânsito, do congestionamento, do mundaréu de gente que não acabava mais"…

É difícil prever como estará o mundo, mas de uma coisa tenho quase certeza, que ao lerem as histórias que deixaremos, dirão, que lindos e belos tempos nossos avós viveram quando crianças…

Acabaram de chegar…

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