Lá estava eu sentado no muro chupando umas gostosas mangas com uns amigos. O Milton era o que tinha melhor pontaria e era o encarregado de derrubar as mangas. Esta era a única mangueira sobrevivente da antiga chácara Itororó. Enquanto conversávamos, escutamos batidas de carros e corremos para ver o que estava acontecendo. Vimos uma Kombi azul vindo da praça Carlos Gomes descendo a rua da Assembléia em alta velocidade e como a rua era estreita o motorista batia nos carros estacionados tanto na esquerda como direita. Acertou vários, nem parou. Quando passou por nós notamos uns quatro homens dentro. Não deu nem tempo de fazer comentários a respeito quando vários fusquinhas preto e branco da policia passaram por nós fazendo aquele barulhão com as sirenes.
A única vez que chegaram perto da Kombi foi ao lado do prédio dos Calçados Pellegrini e trocaram tiros que deixaram marcas na parede do prédio e deixou a vizinhança assustada. Logo depois chegou a noticia através da Radio Bandeirantes, se não me falha a memória. O Banco Moreira Salles ali pertinho na praça João Mendes havia sido roubado e levaram 500 milhões de cruzeiros, o maior roubo a banco até então na nossa querida cidade. Quando soubemos disso pela boca de minha mãe saímos correndo e fomos até a rua Jaceguai e era polícia pra todo lado.
Como o roubo foi na área da Liberdade, as pessoas já diziam que os gatunos pertenciam à máfia japonesa e até tinham nomes dos possíveis ladrões, entre eles Fujiro Kakombi, Sumiro Kanota e o mais temido Atiraro Nozomi. A Kombi foi encontrada na Bela Vista neste mesmo dia toda queimada. Para surpresa de todos e alívio para a colônia japonesa descobriu-se dias depois quando foram presos, que os ladrões eram gregos de passagem por São Paulo.