<br>A época em que vivi foi sem sombra de dúvida a mais perfeita, a mais linda de todas as épocas!<br><br>A moda eram os vestidos tubinhos, a maioria deles com gola alta, redonda e virada como uma bainha dupla. Vinha até os joelhos e algumas garotas mais saidinhas, usavam um dedo acima. Sapatos baixos para que pudéssemos dançar à vontade.<br><br>No inverno, eram as botas de cano longo, acima dos joelhos. Quem podia, mandava fazer sob medida no Spinelli, que também ficava na Rua Augusta.<br><br>Também eram moda os vestidos rodados, com bastante pano para que rodassem enquanto se dançava o rock, o “ralygalli”, o “twist”, o “Fox trote”. Não ligávamos muito naquela época para o samba, nem mesmo as musicas sertanejas, pois eram "feias" para nós. Hoje, no entanto, as musicas sertanejas são muito bonitas, com melodia, o que não acontecia naquela época.<br><br>Em todas as paradas de sucesso estavam Roberto Carlos, Miltinho, Wanderléa, Moacyr Franco e tantos cantos revelados naquela época nos programas de auditório.<br><br>Também estavam em alta Rita Pavone, Sérgio Endrigo, Brenda Lee (ah Brenda Lee). Ainda tenho em minhas coleções, várias de suas canções! E Elvis Presley então? E os Beatles? E tantos outros que só mesmo revendo os arquivos da memória distante, hoje enferrujados pelas chuvas do tempo!<br><br>A Rua Augusta era o centro da juventude "transviada", o que não tem nada a ver com os "transviados" de hoje, nem mesmo os marginais, que naquela época nem existiam. Íamos ver Roberto Carlos, com seu novo carrão conversível, subindo e descendo pela Rua Augusta e dávamos “tchauzinho” e o paquerávamos.<br><br>Os cinemas de maior frequência eram os da Rua Augusta, onde íamos assistir aos "imortais" atores americanos: James Dean, Elizabeth Taylor, Rock Hudson. Ai ai! Nem quero lembrar! A saudade daquele tempo, que nunca mais voltará dói. Pois me lembro tão bem dos amores que tive e com eles dançava sob a luz das estrelas no jardim de casa, onde na minha vitrolinha cor de laranja (era moda) tocava o “long play” do também imortal Ray Conniff e sua Orquestra, Glenn Miller, também com sua maravilhosa orquestra. Ah! Que noites! O amor era puro e inocente e os beijos roubados eram extasiantes.<br><br>Muitas vezes cabulávamos aula e mesmo de uniforme do colégio das freiras, íamos para a Rua Augusta, olhar vitrines, comer doces e lanches, o preferido na época era o “hot dog”, com bastante mostarda e coca cola que vinha em garrafinhas de vidro e que não jogávamos na rua como fazem hoje em dia, onde milhares de latinhas rolam pelas guias das calçadas. Devolvíamos assim que acabávamos de comer e beber, mesmo porque, era feio comer na rua, comíamos dentro da lanchonete, conversando sobre vários assuntos, porque naquela época, éramos mais inteligentes do que a juventude de hoje, que só sabe fazer conta com calculadora. Líamos muitos livros hoje taxados de antiquados, mas que nos deram saber e gosto pela leitura.<br><br>Não existiam shoppings! Então quando chovia nos reuníamos na galeria do Conjunto Nacional para batermos papo. Fumar? nem pensar! Apenas alguns rapazes que queriam "aparecer" faziam uso e gostávamos do cheiro, pois era fumo quase puro, sem as misturas venenosas de hoje. As marcas mais usadas eram Hollywood, Lincoln, Continental, "famosos" e todos sem filtro.<br><br>Bem, todas essas lembranças foram a jato, porque se estivesse conversando pessoalmente com alguém da época, certamente várias outras coisas interessantes surgiriam da memória, hoje já um tanto enferrujadas. Espero ter ajudado querida e estou às ordens caso existam dúvidas. <br><br>Para terminar, porque me lembrei de repente da parte política. Não discutíamos política, apenas repetíamos entre nós, o que ouvíamos de nossos pais à mesa do jantar. Alguns eram Janistas, outros Adhemaristas. Eu sempre tive a vassourinha do Jânio Quadros, dada a mim por ele mesmo, que frequentava nossa casa e tinha o péssimo costume de pegar-me no colo e ficar dizendo o quanto eu era "boazinha", no bom sentido, claro! Porque na realidade, eu era o capeta em forma de gentes. E o que mais me deixava aborrecida era ficar olhando as "caspas" que caiam do cabelo dele e enfeitavam a ombreira do paletó.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>