José Vasconcelos

Morreu José Vasconcelos. Quando cheguei a São Paulo, na década de 50, estava em cartaz em um grande teatro da cidade – não me lembro o nome – um show cujo nome era "Eu sou o espetáculo", que permaneceu muitos anos em cartaz e percorreu o Brasil inteiro. Só no palco, o grande humorista cantava, fazia imitações sensacionais e a platéia divertia-se o tempo todo.

A imitação de Ary Barroso em um programa de calouros virou um clássico. Suas anedotas, suas “gags” e sua versatilidade colocavam um largo sorriso no mais sisudo e circunspecto dos espectadores. Era um humor saudável, prazeroso, sem as apelações e a agressividade gratuita que os ditos humoristas praticam nos dias de hoje. Esse espetáculo foi gravado em LP e fez grande sucesso.

José trabalhou na televisão e participou de memoráveis programas humorísticos. Mas, lamentavelmente, nos últimos anos só fazia o gago, um de seus trabalhos menos simpáticos e até politicamente incorreto. Verdadeiro desperdício de seu imenso talento, que se repetiu nas "escolinhas", imitadoras baratas da "Escolinha do Professor Raimundo" do Chico Anísio.

O grande sonho de José Thomaz da Cunha Vasconcelos Neto era a criação cidade das crianças – a Vasconcelândia – semelhante a Disney, mas com jeito brasileiro. Nunca conseguiu levar adiante seu projeto por falta de apoio dos poderes públicos e da iniciativa privada.

Nascido em Rio Branco, Acre, em 1926 era conterrâneo de Jarbas Passarinho, conhecido político e “ene” vezes ministro de estado. Quando se encontravam o ministro sempre o saudava dizendo:
– "Salve o mais ilustre dos acreanos vivos", ao que Vasconcelos sistematicamente retrucava com bom humor:
– "Salve o mais vivo dos acreanos ilustres".

Vá Zé. Vá em paz. Certamente S. Pedro o receberá com alegria e lhe pedirá com um grande sorriso nos lábios:
– "Conte mais uma Zé"!

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