Rua Augusta, parte II

Caros leitores, se eu me esqueci de escrever alguma coisa sobre a Augusta, me contem.

Pois bem, tenho saudades do tempo em que freqüentava essa rua. Além da história que já contei, sobre meu fusquinha café-com-leite que morreu na ladeira da Augusta, me lembro de muitas outras coisas.

Em 1971, estava desempregada e meu irmão propôs uma sociedade numa boutique na Galeria Ouro Fino.

Éramos dois durangos, não tínhamos dinheiro algum, só sonhos! Pedimos emprestado dinheiro com meu pai (coitado, ajudou tantas vezes seus filhos…), fomos à casa de um tio pedir para ser fiador (que coisa mais desagradável pedir esse tipo de favor…), compramos uns móveis usados lá do Hospital do Câncer e pronto, fomos com a cara e a coragem montar a boutique. Ela ficava na sobreloja, ou seja, subindo a escada rolante, ficava do lado esquerdo, ao lado de uma loja de uma senhora que confeccionava chapéus femininos. Era famosa.

Meu irmão tinha talento para moda, mas talento nenhum para negócios. Eu apenas tinha boa vontade. Me lembro que comprávamos algum tecido na casa Etoile (loja com tecidos de muito bom gosto) e mandávamos confeccionar. Me lembro que as mulheres gostavam muito dos modelos, mas a produção era pequena e o que vendíamos não dava pra pagar o aluguel. Acho que ficamos uns cinco meses e depois fechamos. A boutique levava o meu nome e infelizmente esse sonho gorou.

Mas nesse tempo, andava muito pela Augusta, antes da boutique, e depois dela.

Me lembro bem das lojas da Galeria Ouro Fino. Uma delas eu não esqueci: era a loja Blow Up, onde havia roupas do estilo da grife Bibba (inglesa). Roupas extravagantes e de um gosto refinado. Os produtos para maquiagem da Bibba eram deliciosos. Era o tempo em que as mulheres pintavam muito os olhos, com muitas sombras coloridas e cílios emplastrados de rímel. Estilo Twiggi (é assim que se escreve??)

E por falar em produtos deliciosos, me lembro da loja da Rastro. Adorava seus perfumes e até pouco tempo usava a colônia. Agora não encontro mais. Só o desodorante.

Tinha, também, a loja Prado de cristais. Ficava babando na vitrine com seus produtos lindíssimos.

Mais acima tinha uma boutique que gostava muito de olhar a vitrine (dinheiro para as roupas eu não tinha). Era a Lui e Lei.

Do outro lado da calçada tinha a loja de discos Hi-Fi. Ali entrei várias vezes pra "fuçar" discos dos Beatles e outros.

Havia um bar (ou era boite?), perto do Hi-Fi, não me lembro o nome, onde serviam drinques bem coloridos e sucos diferentes. Acho que era Bilboquet o nome.

Nos anos 70 era comum encontrarmos lojas de produtos indianos, afinal era a época dos hippies. Adorava ficar olhando tudo: batas, colares, brincos, incensos, sandálias coloridas, roupas com brilho, tudo enfim.

Lanchinhos no Frevinho, no final do passeio ou, então, um Hot-Dog em frente ao cine Astor, o melhor que já comi na minha vida. Não tinha igual.

Depois dessa época surgiram os Shoppings Center, mas nada melhor do que andar a céu aberto e curtir tudo o que a vida nos proporcionava na Rua Augusta.

Onde tudo acontecia! Ou não.