Rosas Vermelhas

Em vida ela foi muito criticada, injuriada, ameaçada de morte, quase linchada pela turba ignara, tudo porque era uma linda mulher, divorciada, e, pública e notória, a amante do homem mais importante da côrte. O fato de levar aos ombros pesados preconceitos, não queria dizer ser ela uma má pessoa, pelo contrário, ajudava os necessitados, socorria os enfermos, era acima de tudo uma benemérita dos pobres e inválidos. Mas, esses atributos de bondade irritava os invejosos que viam nela uma perigosa intrusa no seio da corte, cheia de intrigas e armadilhas. Com a viuvez do amante, vislumbrou ela o chegado momento de galgar o lugar que lhe era de direito, pois, dera à luz quatro filhos legítimos do Imperador. Mas grande engano seu, o Imperador ávido por poder, e vaidoso ao extremo, trocou-a por uma sangue azul da corte da Baviera. O amor apaixonado da Marquesa, recebera um duro golpe ante o fato consumado e, para revelar o caráter leviano do Imperador, este num gesto despótico, expulsa-a da corte. Foi o golpe final. As rosas vermelhas depositadas no seu mausoléu ao longo dos anos, foram de pessoas que atenderam ao seu pedido final. Mario Zan o sanfoneiro, comovido com a história, resolveu um dia ir até o cemitério da Consolação, e foi ter ao mausoléu da Marquesa encontrando-o em completo abandono, de imediato lavou-o, e vendo-o limpo, prometeu a si próprio e a Marquesa, mante-lo limpo, e assim Mario Zan, o sanfoneiro, o faz até hoje. A fama da Marquesa de dar graças à quem pede, princípalmente àquelas mulheres ultrajadas no seu amor, levou o Mario Zan acreditar que sua vida se tornou muito mais feliz, à partir da sua devoção à Marquesa.