Riviera – Represa de Guarapiranga

Ao "xeretar" no item “Fotos” do site do São Paulo Minha Cidade, deparei-me com uma fascinante fotografia que mostrava a represa de Guarapiranga, há décadas passadas, creio que há mais de sessenta anos. Posso dizer que me pareceu muito mais evoluída do que hoje, pois naquela época distante, seus frequentadores, conscientes de sua importância para a comunidade, a tratavam com a magnitude que, hoje, nós com toda essa evolução tecnológica, deixamos a desejar no quesito natureza.

Na única foto, retrata veleiros ao longe fazendo fundo a uma platéia de banhistas. Sim, frequentadores a caráter em seus trajes típicos da época, sem esquecerem os seus belos chapéus e óculos escuros. Mesas harmoniosamente instaladas às suas margens a acomodarem grupos que escolhiam como passeio tão bela paisagem.

No antigo álbum de fotos de minha mãe, lembro de ter visto cenas semelhantes, onde em alguns flashs, meus tios, garotões ainda, trajando maiôs inteiriços em pose na areia úmida da represa.

Minha mãe contava que ir com o namorado se refrescar à margem da Represa de Guarapiranga requeria cuidado quanto aos adereços. Sendo ela filha de Chico Turco, dono do Cine São Francisco, tinha o privilégio de poder lançar alguns modelitos oriundos das películas exibidas no tal cinema, como por exemplo, os lenços cuidadosamente amarrados ou trançados junto às vastas cabeleiras cacheadas da época.

Os óculos escuros também faziam a diferença. Um dos modelos que mais se destacava eram os óculos de aro branco, moda lançada por atrizes norte americanas. Os calçados também se diferenciavam: normalmente eram alpargatas, sapatilhas feitas de lona rústica com solado de corda. Os maiôs femininos, verdadeiros "cobrem tudo", tinham sua elegância em dar ao corpo feminino os contornos necessários.

Quando a moça já era mais faceira, era comum que optasse pelo maiô de duas peças, o famoso biquíni, que era a escolha constante de minha mãe. A distância da parte superior da parte inferior do tal maiô não chegava a nem um palmo, creio eu. Até porque, o charmoso umbigo feminino que fica a mostra hoje em dia, era parte proibida a ser exibida em exaustão para as moças de família daqueles tempos.

Protetor solar não havia e, como alternativa para se proteger dos raios solares, usavam belos chapéus de palha com abas muitas vezes extremamente largas, com belos lenços a fazer composição aos passeios às margens da Represa de Guarapiranga, chamada na época de Riviera.

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