Rio Pinheiros

Hoje quando passo pela ponte Cidade Jardim (eng. Roberto Zucollo), sobre o Rio Pinheiros, sinto uma enorme saudade dos tempos de garoto quando andava pelas águas límpidas desse bonito Rio. Visto de cima, é lógico. Andava desde a usina da traição até a ponte Cidade Jardim. Estava sempre a pegar Guarus (peixes pequenos) um divertimento de muitos garotos. Hoje quem fizer isso sai com as canelas pretas de lama, misturado com resquícios de esgoto…
O rio Pinheiros tem um mistério que poucos sabem. Seu curso normal seria ir para o Rio Tietê, onde ele desembocaria. Mas ele sofreu um reverso. Em vez de descer para o Tietê, ele sobe para a represa Bilings. Se bem que a subida não é íngreme. Isso é feito para que se abasteçam as usinas de Traição (Vila Olímpia) e a usina Piratininga (Bairro Pedreira) e também abasteça a represa Bilings em tempos de forte estiagem. E isso é feito por intermédio de bombeamento. Para que as águas tenham melhor condição de tratamento, existe uma barragem móvel e estreita que impede que detritos cheguem até a grade da usina de Traição. Na altura da ponte Morumbi tem um anexo, à direita (ou pelo menos tinha) onde é feito esse o tratamento já que o rio se tornou o receptor de esgoto em natura, vindo dos córregos que criminosamente recebe esgotos clandestinos.
Muita gente morreu naqueles tempos em que se podia dar um mergulho no rio Pinheiros, ainda limpo. Em frente à usina de traição vários corpos foram encontrados pelos bombeiros.
Havia também funcionários da Light, em serviço, que caíam no rio e, por não saberem nadar morriam afogados. Numa dessas ocasiões, a pinguela por onde passavam não tinha mais de 50 centímetros de largura e eu morava a mil metros da usina de traição, era só ouvir a sirene dos bombeiros, podia ir lá que algum corpo estava sendo tirado das águas.
As máquinas eram silenciosas, e a gente só, se lembrava da usina por causa da sirene que tocava todos os dias as, dez para as sete da manhã, alertando os funcionários, e depois às sete horas para a entrada. Às onze horas tocava novamente para o almoço. E ao meio dia para o regresso. As quatro da tarde a sirene era tocada pela ultima vez, naquele dia quando os funcionários fossem para casa. No turno da noite a sirene não era tocada. Quando se ouvia o soar da sirene nossos ouvidos era todo atenção e podia acertar o relógio. Mesmo porque a Light dizia: É melhor prevenir do que remediar.
Uma das coisas bonitas que se vê ao redor do Rio Pinheiros é o garboso jardim que há alguns anos foi construído com o apoio do jornal da tarde e radio Eldorado, que vai do bairro do Jaguaré até a ponte João Dias. Onde fica a sede do projeto. Só não vai mais a frente por falta de espaço. Caso alguém queira pode visitar a sede e o jardim.
Mario Lopomo

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