“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas, de um povo heróico o brado retumbante…”
Todos nós conhecemos a primeira estrofe do hino mais belo do planeta, mas será que alguém sabe onde é que está a nascente do Riacho do Ipiranga?
Eu também não sabia, e sempre tive a curiosidade de conhecer a nascente.
Outro dia, de passeio pelo Jardim Botânico (Avenida Miguel Stefano, logo após o depósito do Conibra, junto onde era a Siderúrgica), percorri os jardins até uma área nova, que possui uma passarela elevada (construída em madeira e com locais para descanso e contemplação da mata). E ao final dessa passarela de mais ou menos 300 metros fui surpreendido ao ler em uma tabuleta informativa que ali, logo aos nossos pés, estava uma das principais nascentes do Riacho tão cantado em versos heróicos (onde recaem sempre a 2ª, 6ª e 10ª sílabas).
Um simples e humilde filete de água, que caberia em um cano de duas polegadas, mas de uma água pura, límpida, como a que devia correr no tempo da Independência. Essa água se mantêm limpa por apenas uns 900 metros, pois logo que atinge o canal entre as pistas da Imigrantes, recebe um verdadeiro bombardeio de esgotos químicos e domésticos, tornando-se mais um canal imundo, e tão imundo que se você notar logo ali no monumento do Ipiranga, o cavalo de Dom Pedro está empinado, como se não quisesse molhar suas patas naquelas águas enegrecidas e fedorentas. O próprio Dom Pedro parece estar perguntando:
– Onde estão as margens plácidas que aqui existiam?
Pena que não temos uma resposta plausível para o nosso imperador, ou pelo menos uma justificativa esfarrapada, pois muito mais que poluir o Ipiranga, estamos em meio caminho de tornar o nosso planeta um ambiente perverso para a sobrevivência humana.
Será que não está na hora de imitarmos Dom Pedro, e todos nós gritarmos pelo direito de usufruir deste planeta tão lindo, e empunharmos as armas da cidadania?
e-mail do autor: [email protected]