Hoje contarei mais uma história. Ela se referirá as nossas cafeterias onde saboreamos o nosso bom café. Durante as nossas vidas quantas vezes adentramos esses ambientes, para comprar qualquer produto, seja um charuto ou a malfadada carteira de cigarros. Ufa! Graças a Deus me livrei deste hábito, vício, e que está desaparecendo aos poucos e ainda desaparecerá por completo, caindo de moda e se tornando brega para quem fuma. Viva! Sou um ex-fumante, daqueles que ingeriam um maço por dia, produto responsável por deixar nossos pulmões pretinhos da “silva”, apressando de vez a nossa ida para o andar de cima. Entrei hoje então numa dessas cafeterias aqui em São José na Rua Gerôncio Thives, 1079 – no Shopping Itaguaçú. No local, praça da alimentação, onde almoçamos num restaurante oriental, eu e minha esposa Márcia, apreciando as iguarias nacionais, japonesas e chinesas, acompanhadas de dois chopes bem gelados. Como se chama a cafeteria? São Paulo Cafeteria, uma filial da casa de São Paulo de nome Café Guidalli. Uma inscrição no fundo do pires: “Você está tomando um dos 5 (cinco) melhores cafés do Brasil”. Atendidas por duas garotas que portavam avental verde escuro musgo com os dizeres bordados em grená: “São Paulo Cafeteria”, lindos, contendo os desenhos de três torres ao meio das palavras lembrando os prédios ou arranha-céus paulistanos, dois deles inclinados à esquerda e o do meio inclinado à direita. Desconheço o significado do desenho. Perguntei à garota, Gabriela, onde se situava a casa matriz, mas ela não soube responder. E disse-me que o proprietário oferecia às funcionárias três cafezinhos durante o expediente de 6 (seis) horas. Se eventualmente não gostassem de café não poderiam trocá-los por outros produtos, salgados ou refrigerantes. Disse-me ela que faria o seguinte: levaria os três cafezinhos a que tinha direito em uma garrafa térmica e os jogaria fora em casa, para não dar esse gosto ao patrão que ficaria com eles caso não os consumisse.
Algumas pesquisas e anotações tenho feito sobre a cidade de São Paulo (despertados em mim depois de ingressar no site escrevendo histórias), celeiro de grandes produtores de café, que constituiu-se em produto exportável e quase em moeda de troca com outros paises durantes alguns séculos. A Avenida Paulista, a mais paulistana, nascida em 1891, é a cara rica de São Paulo, e foi a que primeiro abrigou os casarões dos barões do café, toda arborizada com ipês, dela se via a várzea do rio Pinheiros e a Serra da Cantareira. Para admirar a paisagem tão bela, o arquiteto Ramos de Azevedo criou o Belvedere, onde hoje está o Masp. Erguido nos anos 60, o museu deu a largada para o nascimento de um dos maiores pólos culturais do país.
A mais paulistana de nossas avenidas ganhou cinemas, livrarias e escultura em seus 2,8 km, e ainda guardou marcas de sua história: raros casarões, como o da Vila das Rosas, hoje centro cultural, e o do MacDonald’s. Também do século XIX, o parque Trianon preserva 48,6 mil metros quadrados de mata atlântica. Recentemente a avenida foi escolhida como símbolo de São Paulo, onde se destacam o relógio Itaú e a torre da Globo. Tradicional e moderna, a Paulista é o coração financeiro da cidade. Seus prédios de linhas arrojadas sediam grandes empresas e bancos. Ativista e esportista, nossa Paulista ainda recebe os corredores da São Silvestre no último dia do ano, as comemorações do futebol e as passeatas da cidade.
“São Paulo é o estado mais rico do país, e os paulistas se orgulham disso.” Texto do jornalista Sérgio de Souza, da Folha de São Paulo.
“Orgulho”, eis a palavra básica do espírito dos paulistas. Não apenas os de “400 anos”, descendentes dos bandeirantes, italianos, libaneses, japoneses. Imigrantes de todos os lugares criaram a riqueza do Estado, e também a identidade, o mito, a idéia de “um São Paulo”, que de certo modo seria diferente do resto do país.
Mas São Paulo manda pouco na Federação; queria mandar muito mais. Desde a derrota dos paulistas na Revolução de 32 o Brasil é menos “paulista” do que eles gostariam que fosse. À inferioridade política corresponde a arrogância econômica – “aqui se trabalha”, “nós carregamos o país” -, que se reflete no turismo: paulista é aquele que, tendo dinheiro, gasta fora do seu Estado. Conhece a Bahia, o Rio de Janeiro, o Ceará, um pouco como o americano conhece o México ou o Caribe. Espanta-se com os costumes dos “outros” – como se o Brasil fosse outra coisa, o resto do Brasil.
Não sei bem como está hoje, decorridos 12 anos, mas a Paulista, como foi dito, é a avenida das avenidas.
Esse foi o resultado de ter passado por aquela Cafeteria São Paulo, é que me fez relembrar os bons momentos vividos por todos nós, amigos da cidade, relembrar que estamos nos empenhando para torná-la ainda mais querida e admirada por todos os integrantes deste site, e por isso hoje presto-lhes mais uma homenagem chamando a esta historia de “Cafeteria São Paulo.
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