Certa vez, eu era ainda um menino, desconhecia o mar e suas maravilhas, os peixes que são o signo zodiacal que o meu. O mar exercia um fascínio grande e o desejo de vê-lo com meus próprios olhos me deixava ansioso. Meus tios, irmãos de minha mãe tinham casas de veraneio na Praia do Rincão, hoje município emancipado da cidade de Içara, aqui no sul do estado, distante 25 minutos do centro de Criciúma onde nasci. A maioria dos moradores da cidade, a capital brasileira do carvão (não é vegetal é minério) tinha residência de praia neste balneário.
Então minha mãe recebera um convite para passarmos uns dias na praia. Sol escaldante, tínhamos que nos proteger do sol senão ficávamos da cor de um camarão frito, vermelhinho da silva. Partiríamos na quarta-feira para ficarmos até o fim de semana. Criança peralta, cismei de ir naquele dia mesmo e aos "berros" exigi da minha mãe que fôssemos naquele dia mesmo. A espera era longa demais para mim. E decidido comecei a preparar linhadas para deixá-las prontas para as pescarias de mar, de lagoa, de rio o que viesse.
Ao tentar amarrar a linha ao anzol, puxando de um lado da linha ela escapou dos meus dentes que auxiliava manter a linha ereta, ai Anol se precipitou de súbito e foi cravar justo em meus lábios.
Fiquei fisgado no lugar do peixe, de modo que a única solução seria aplicar a anestesia nos lábios e levar o anzol pra frente. Minha mãe me levou ao hospital de emergência para a cirurgia necessária.
Depois de uma leve anestesia local, o anzol deixou meus lábios e arrefecendo de vez meus ímpetos de pescador adiantado e acelerado. Depois disso me resignei e fiquei calado esperando ter aprendido a lição que a pressa como o roubo não compensa e me resignei a esperar a hora certa daquele passeio na praia.
Hoje como sabem moro em Floripa e por aqui não faltam praias. E o gosto continua, amo o mar, os peixes, as ostras, os berbigões, os mariscos e os camarões cozidos de qualquer maneira.
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