Revolta

Eu, (in)felizmente sou testemunha viva da Copa de 1950, onde o sacrificado foi o pobre Barbosa – paulista, é claro, falecido à pouco tempo atrás. E agora, 2014, desta que foi a maior hecatombe de todas as copas. Culpo os jornalistas por não terem alertado seus leitores a respeito daquela Copa. Em 1950 eu tinha 18 anos e lembro muito bem, a “cariocada” demonstração de ferrenho bairrismo em sediar aquela Copa. O Maracanã semi-acabado, engolindo uma verdadeira fortuna do governo federal, serviu de sede. Enquanto nós, aqui em São Paulo tínhamos, e temos, um dos melhores e mais bem construídos e seguros estádios do Brasil, o Pacaembu.
 
O Rio só tinha o “campinho” do Vasco, portanto nós, com uma seleção de craques, podíamos muito bem sediar a Copa de 1950. “Mas não, não vamos dar esse gostinho aos paulistas” e com a seleção baseada no time do Vasco, com seu técnico, Flávio Costa, deu no que deu. Desta vez, não foi muito diferente, sediaram a Taça das Confederações. Jogaram mais uma vez pro lixo, essa Copa de 2014 e, não contentes, vão sediar as olimpíadas de 2016. Isso tudo debaixo dos olhos de vocês, jornalistas que nada fazem, a fim de colocar São Paulo no seu devido lugar.
 
Por que devemos sempre ficar na “rabeira”, nutrindo-nos das migalhas de cidade que vivem das benesses federais, com resultados negativos e alardeando pomposas galopadas sem sair do lugar? Já demos largas demonstrações de capacidade e “desportividades”, em todos os segmentos de destaque mostrando, sempre nosso poder de sediar tudo.
 
São Paulo é grande demais pra “esfriar” o fogoso ego dos mal nutridos em capacidade. Por isso não devemos baixar o nível de nossa postura em aceitar o que nos é imposto, pelo simples fato de, aparentemente, pensarmos somente em trabalho.
 
De 1950 até hoje, se passaram 64 anos, o suficiente pra que os “novos” titulares dos segmentos esportivos se esquecessem de que, além de São Paulo, muitas cidades cresceram pra terem alguma chance em sediar alguma coisa e não ficar somente tomando sol em Leblon e Copacabana, como as ensebadas novelas. Gratos.