Dificilmente, conseguimos extrair lições quando estamos mergulhados em um mar de alegrias. Embora amargos e dolorosos, os ensinamentos atrelados às derrotas podem ser edificantes e proveitosos. Nos resta aceitá-los, absorvê-los e aprendê-los. Talvez nos inspirem a rever ultrapassados conceitos e estruturas ou simplesmente recomeçar.
Muito oba-oba, máscara ou salto alto? Pairava no ar uma eufórica, e até forçada, "conspiração do sucesso", que nos incomodava sobremaneira. Mas se fez justiça – porque, às vezes, um triunfo pode esconder nossos graves defeitos e camuflar reiterados erros. Em qualquer atividade, a meritocracia deveria sempre prevalecer.
Calçando as chuteiras da humildade, a disciplinada, organizada e afável equipe européia, nos poupou de um vexame maior. O placar poderia ser mais dilatado. Resultado de uma perfeita e bem executada estratégia. Ao escutar os gritos de "olé" da nossa torcida ferida e inconformada, os jogadores alemães “mui” gentil e compreensivamente, evitavam longas seqüências de passes entre eles. Justamente para não provocar tal manifestação.
Em redes sociais, além de tecerem elogios ao nosso país, alguns estão se desculpando pelo "transtorno" que causaram, ao admirável e acolhedor povo brasileiro. Por terem nos suplantado de forma tão avassaladora e implacável —diga-se de passagem, transparecendo sinceridade.
Ainda nos minutos iniciais da partida, foi se desmoronando a vã filosofia esportiva, de que o adversário iria respeitar e tremer perante o peso da camisa “verde-amarela-cor de anil”. O branco, na verdadeira acepção da palavra, ficou por conta da nossa hesitante e atemorizada seleção.
Porém, imaginem como seria enfadonho, torcer para um time invencível, um super-time ganhando tudo e de todos. O maior e melhor atrativo do futebol reside justamente na imprevisibilidade. Até no cômico frango do goleiro, na equivocada interpretação do juiz… na zebra! Sem graça nenhuma, foi a infame notícia que em sua habitual e civilizada faxina no estádio, os torcedores japoneses encontraram mais 2 gols dos alemães.
Na ressaca do "day after", não tripudiando sobre a tragédia nacional, refletida no frio e chuvoso 9 de julho — dia em que se comemorou a Revolução Constitucionalista de 1932 e a bravura dos paulistas —, passei na lanchonete de um velho conhecido na Avenida do Cursino, próximo ao Correio. Sugeri que acrescentasse ao cardápio, um novo sanduíche temático, o "MaqueEliminado". Ingredientes: pão francês, salame espanhol, queijo muzzarela italiano, alface norte-americana, tomate português, milho mexicano e molho inglês. Para beber, vinho chileno ou cerveja belga.