Retalhos…

Vou cometer um atrevimento. Não vou rascunhar, vou escrever direto no espaço destinado.

Lendo vários trabalhos de colegas sobre o Braz, sacudi minhas recordações um tanto ou quanto esmaecidas, tentando (mas, não conseguindo) desaparecer de meu cantinho, onde guardo tantas quinquilharias no meio de ótimas lembranças. São retalhos de uma vivência feliz, despreocupada e bem saudável, graças a Deus. Das minhas primeiras recordações, 1938, quando no mesmo ano perdi meu tio Santo, minha tia Maria e meu avô Vito. Numa criança de seis anos isso pode, apenas causar certo impacto, pois, apesar de gostar muito deles, meus sentimentos estavam voltados para o futuro, é evidente.

Lembro-me das tardes quentes, na Rua Assumpção, as brincadeiras infantis em torno de um enorme peça de ferro largada na travessa do Gasômetro, pertencente a Metalúrgica Stamato, localizada nesse mesmo local. Perdia horas vendo um operário, através de uma pequena fenda entre o portão e o muro, malhando ferro incandescente, transformando um pedaço de ferro num alicate ou num martelo.

Mais tarde, na Rua Álvares de Azevedo, (hoje Polignano 'a Mare) apreciava um torneiro em madeira, preparando os pesinhos dos porta-joias que a pequena empresa ali localizada, Basil Nahat & Irmãos, libaneses, manufaturavam, com preciosa dedicação, os porta-joias, cujos tampos tinham incrustações de flores montadas com recortes de madeiras preciosas e finíssimas, sendo um dos irmãos, Elias, se não me engano, o artista responsável por esse arremate. A finalização da peça era executada numa sala onde ninguém podia entrar, sendo que a limpeza da sala era feita por um dos outros irmãos, (eram cinco), tamanho segredo que mantinham. É bem provável que alguns dos leitores do nosso site, na minha faixa, ou um pouco menos, tenham em casa, guardada, uma destas caixas (porta-joias). Hoje é uma raridade.

Além destes, quantos retalhos que pululam em minha cabeça, querendo um espaço pra se exibir, também. Um colaborador citou assim, de passagem, o "Luiz das Porteiras". Quantas lembranças que esse pobre homem, maltrapilho e que nunca soube sua origem, correndo pelas ruas do Braz, balançando as mãos com um riso sardônico rasgado na boca, babando e gritando: "Lui, Lui, Lui…”.