Represa de Guarapiranga: uma atração paulistana

A Represa de Guarapiranga está localizada na Bacia do alto Tietê, abrangendo a região sul-sudoeste da cidade de São Paulo. O reservatório de Guarapiranga foi construído para aumentar a geração de energia na usina de Parnaíba, no Rio Tietê.
 
A Light, uma empresa canadense, foi autorizada a operar e explorar a produção e distribuição de energia elétrica, além dos serviços de iluminação e transporte coletivo. Em 1899, a The São Paulo Tramway, Light & Power Company instalou-se na cidade de São Paulo.
 
No ano de 1906, a companhia decidiu construir na região de Santo Amaro, na época município, política e administrativamente independente de São Paulo, um lago artificial, que foi denominada de Represa de Santo Amaro; sendo depois da construção da Billings a ser chamada de Represa Velha e por último recebeu a denominação de Represa de Guarapiranga, nome derivado do tupi guarani e que significa “garça vermelha”. (onde estão as garças vermelhas, seriam flamingos?)
 
A Light seguiu com as obras por três anos sendo que o represamento teria capacidade para armazenar aproximadamente 200 milhões de metros cúbicos de água. Foi erguida a barragem do Rio Guarapiranga, afluente do Rio Pinheiros, para regularizar a vazão do Rio Tietê através do Rio Pinheiros, que se tornou um canal retificado de 27 quilômetros perdendo toda sua sinuosidade natural de 45 quilômetros.
 
Toda a bacia é formada por rios como Embu-Guaçu e Embu-Mirim, Rio das Lavras somado a ribeirões como o Ribeirão Itaim, Represa e Fazenda da Ilha, e os córregos Luzia, Itararé, Fundo, Piquiri, Itupu, Guavirutuba, São José, Bonito, Rio das Pedras, Tanquinho e Barro Branco, Casa Grande e pequenas artérias de abastecimento hídrico.
 
A Light percebeu o potencial recreativo da represa e tratou de melhor explorar a comunicação com o local, instalando linhas de bondes especiais para os visitantes, trazendo também areia de Santos; construiu pequenos Oasis de diversão para os fins de semana. Em 1927, a represa recebeu o aviador brasileiro João Ribeiro de Barros, que atravessou o Atlântico em seu hidroavião JAHU, que amerissou nas águas tranquilas da Guarapiranga, onde no atual Parque da Barragem (Capela do Socorro) há o monumento em homenagem aos aviadores, incluindo-se o comandante de outra aeronave, Francesco De Pinedo.
 
Em 1928, a Represa recebeu a incumbência de abastecer de água a capital paulista, fornecendo a média de 1 metro cúbico por segundo para a estação de tratamento de Teodoro Ramos.
 
O projeto de urbanização da região foi sendo implantado a partir de 1937, no empreendimento batizado com o nome de “Cidade Satélite Balneária de Interlagos”, situada entre dois lagos: o da Guarapiranga e o da Billings (Usina hidrelétrica Henry Borden-Cubatão, idealizada na década de 1930). Além disso, a península do Riviera passou a fazer parte da represa, onde antes havia a fazenda de 320 alqueires de Herculano de Freitas.
 
Em 1958, com a construção da estação de tratamento do Alto da Boa Vista, a Guarapiranga passou a fornecer 9,5 metros cúbicos por segundo, obrigando a elevação do seu nível de água.
 
Na década de 50, a represa de Guarapiranga possuía a atração do hidroavião SeaBee, da família Cukurs, que sobrevoava a represa em vista panorâmica, uma atração local que perdurou por muitos anos. Hoje há alguma atração turística feita por embarcações tipo escunas e que buscam a regulamentação para expansão turística local.
 
O sistema Guarapiranga atualmente corresponde a 20% da produção de água da Região Metropolitana de São Paulo atende às zonas Sul, Oeste e Centro, cujos mananciais produzem 10,3 metros cúbicos por segundo, recebendo o reforço do Sistema Taquacetuba, responsável pela transferência de 4 metros cúbicos por segundo de água bruta do reservatório Billings para a Represa Guarapiranga, aumentando deste modo a demanda.
 
No primeiro lago, há o passeio turístico que apresenta o Morro dos Eucaliptos, habitat natural de pequenos macacos e os morros Três Carecas ou também chamado de Três Marias, e onde também estão localizados clubes náuticos para a prática esportiva e que produziu atletas de renome internacional.
 
Na orla próximo a Avenida Atlântica, foram construídos parques para preservação ambiental como o Parque da Barragem, Praia de São Paulo, Castelo, Nove de Julho, São José, que complementa com o parque Ecológico Guarapiranga.
 
São Paulo e sua diversidade sempre surpreende com os seus 460 anos. Urge manter este santuário e sua preservação é vital!