Minha vida boemia

Todos os leitores do site SPMC já leram vários textos meus sobre a boemia, sempre tive vontade de escrever um livro sobre a boemia, o título seria: Os infelizes das noites (porque a boemia é uma fuga, depois vem a depressão). 
 
Desde 1958 até 1980, vivi na noite de São Paulo, nas famosas “boca do luxo”, “boca do lixo” etc. Conheci todos os tipos de pessoas: bandidos, jogadores de futebol, atores, atrizes, etc.
 
A noite é uma verdadeira ilusão, por isso os boêmios estão sempre bêbados, para não ver a realidade da vida; no dia seguinte vem a depressão, às vezes não se lembra nem com que mulher saiu. 
 
Na noite anterior, frequentei também a boate do falecido ator Helio Souto, o famoso Dobrão (era o Galery da época, na Al. da Lorena, dos Jardins), tinha como sócia a sua mulher Helena Morganti, dona do açúcar União. Conheci o famoso cantor Hugo Del Carril, estava fazendo uma temporada na boate.
 
Depois de alguns anos a boate faliu, não se sabe o motivo. Depois de vários anos, o Helio já era falecido; encontrei a sua ex-mulher, a dona Helena, em uma feira hippie no Bixiga, ela estava com uma barraca vendendo várias coisas, parecia que não estava bem financeiramente.
 
Já na boate Galery, certa noite na mesa ao lado da minha estava o cantor e famoso na época, Nelson Ned, com várias mulheres lindíssimas.
 
O gerente do Galery era meu amigo, e contou-me que só em um fim de semana o Nelsom gastou a bagatela de 100.000 reais.
 
Já na boate La LiCorne conheci os donos, a Laura Garcia e o Gravatinha, e vários frequentadores, como o delegado Fleury, o investigador “Fininho”, do Esquadrão da Morte, etc.
 
Nas demais boates como Dakar, Wariety, Holiday, Michel. Clbu de Paris, La Ronde, Galo Vermelho, La Mour, etc. tinha vários amigos da noite, como o ex-jogador de futebol que jogou no São Paulo e no futebol francês: Yeso Amalfi… (tinha várias mulheres nas noites). O ex-pugilista Abrão de Souza, e muitos outros famosos, como o cantor Gregório Barrios, etc.
 
Foi uma época maravilhosa de ilusões, tudo era uma festa, o tempo passou como tudo passa na vida, as boates não mais existem. Acredito que tem poucas pessoas vivas dos tempos da boemia. Hoje os boêmios são outros: traficantes, bandidos, ladrões. etc…
 
Até os menores não são mais os mesmos da época, hoje se resolve tudo na bala. Quem sabe um dia eu tenho a oportunidade de escrever o livro, “Os infelizes das noites”.