Experiências de um repórter aéreo no dia 11 de novembro: A data é considerada emblemática na numerologia, pois neste dia as pessoas tendem a ter um sentimento maior de solidariedade para com o próximo. É a junção 11/11. Isto me beneficiou em 2005 nesta data.
Assisti na TV uma reportagem dizendo que os numerólogos entendem que o dia 11 de novembro não é apenas a coincidência da junção do dia e do mês 11. Nesse dia as pessoas tendem a ter um sentimento mais solidário em relação ao próximo, porque este número é a junção da inspiração e do idealismo. Exemplos não faltam no futebol, pois a camisa 11 passou a ser a predileta entre os jogadores desde os tempos de Romário e a mística do 11 passou agora para Neymar.
Nasci em São Paulo, em um dia 1, data que também tem significado ligado à numerologia, embora antes eu nunca tivesse me atido quanto a isso, mas o interessante é que renasci em um 11 de novembro. Foi no ano de 2005 quando o helicóptero em que eu voava sofreu uma pane e precisou fazer um pouso forçado em plena Marginal do Rio Pinheiros, uma das vias mais importantes e movimentadas de São Paulo.
Antes da descida completa da aeronave, o motor apagou e o helicóptero pendeu para a direita e declinou sobre o solo em 45 graus caindo sobre o asfalto da pista expressa, onde o trânsito no sentido da Castelo Branco seguia até bem. Antes de se completar a queda, o esqui do aparelho esbarrou na traseira de um carro amortecendo nosso impacto. O pequeno modelo Robinson R-22 Beta de dois tripulantes, fabricado nos Estados Unidos e considerado ideal para as coberturas jornalísticas do rádio, espatifou-se no chão. Vi quando a hélice superior foi se entortando toda atingindo a lateral de um carro e achei que a cauda fosse soltar.
Para nossa sorte, minha e do comandante Leonardo Rebuffo – por sinal excelente, porque nada podia ser feito após o rompimento das correias de embreagem que levam a energia do motor para girar as hélices – a cabine permaneceu intacta e nós dois escapamos completamente ilesos.
Ficamos assustados, claro, mas em nenhum momento achei que ia morrer, mas pensei em como eu ficaria depois do acidente. Poderei ainda andar? Pensei.
O que restou do helicóptero após a violenta batida no chão, foi parar debaixo da ponte Eusébio Matoso, depois de arrastar por cerca de 20 metros. Com a cabine parada e inerte, me vi sentado na poltrona esquerda, sobre a poltrona direita, mas não cheguei a cair em cima do piloto porque, ainda bem, fiquei preso pelo cinto de segurança, mas praticamente pendurado ali.
Leonardo desvencilhou-se do cinto e saiu por cima, pela minha porta gritando, pedindo ajuda às pessoas para que o auxiliassem a me tirar do helicóptero, pois como a maioria deve saber, sou paraplégico desde a infância e só consigo caminhar porque me utilizo de aparelhos ortopédicos.
Mas de fato, sair da cabine sozinho não estava sendo possível e o pessoal em volta do helicóptero tombado, dizendo que iria explodir. A gasolina vazava pelo chão e também havia pequenas faíscas, como que pipocos anunciando o fogo querendo irromper do motor esfumaçado. Alguns motoristas parados no trânsito, então já congestionado, desceram de seus carros retiraram os extintores de incêndio dos veículos e eles mesmos debelaram a possibilidade do surgimento das chamas e assim me salvaram do risco iminente. Quero agradecer a todos pela atitude!
De repente aparece entre a multidão que já se aglomerava, um sujeito alto e encorpado que abre a porta e gentilmente me levanta pelas axilas e me retira da aeronave. Ao sair minha bota do pé esquerdo fica enganchada na borda do helicóptero. Ele percebe, a retira e me diz:
– "Segure com as suas duas mãos no meu pescoço para que eu possa carregá-lo fora daqui para você não ter que pisar com suas botinas na gasolina esparramada".
Era tudo que eu precisava e fiquei admirado com a percepção dele na atitude de me socorrer. Fui carregado por este afortunado amigo até a beira da pista onde ele ainda descobriu um local improvisado, em meio ao guard rail amassado, para que eu me sentasse. Embora aturdido pelos inusitados acontecimentos deu para perceber que ele sabia dessas coisas de lidar com pessoas deficientes, pelo cuidado com que teve de me carregar do aparelho sinistrado até local onde eu estava.
Acho que foi o destino que me colocou no caminho dele. Trafegando com seu automóvel, seguia viagem para Bauru, sua cidade. Vendo-me acabrunhado, entretanto, sentado num cantinho da Marginal Pinheiros, meio sem saber o que fazer e já cercado de motoqueiros me perguntando o que tinha ocorrido, o novo amigo age novamente como santo protetor e me dá uma carona até a sede da emissora. Ao chegarmos fomos saudados pelos colegas que me virão são e salvo. Fiz questão de apresentá-lo a todos. Seu nome é César Tavares Lugo. Em seguida fomos para o estúdio onde discorri sobre os momentos que antecederam a queda do helicóptero, a pane que aconteceu, o cheiro de queimado na cabine com o novo amigo contando em seguida, os cuidados que teve para me tirar daquela situação.
O acidente com o helicóptero do repórter aéreo mais conhecido de São Paulo, foi primeira página no dia seguinte de todos os jornais. Ganhamos notoriedade pelo perigo enfrentado, chegando a ser entrevistados, o César e eu, no Programa do Jô, onde de maneira divertida, graças às perguntas do apresentador, ele contou já ter feito em Bauru um curso de primeiros socorros, tamanha a quantidade de vezes em que teve de socorrer pessoas em outros acidentes que presenciou.
– "Incrível, mas parece que os acidentes escolhem o lugar onde estou passando para acontecer", acrescentando que chegou a socorrer vítimas também da queda de um avião em um campo onde vacas pastavam.
Se de acordo com a numerologia, em todo dia 11 de novembro as pessoas tendem a ter um sentimento de maior solidariedade para com o próximo, César Tavares Lugo, deu provas de que isto é verdade. Alguns amigos me dizem que, após sair ileso de um acidente aéreo, em 11 de novembro de 2005, devo considerar essa data como se fosse um segundo aniversário.
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