Relembrando São Miguel Paulista

Recordo-me de quando entrei, em 1959, na Escola Carlos Gomes dos seguintes
fatos:

O Sr. Benedito tocava a sineta dos horários de entrada, recreio e saída, não tinha campainha.
Comprava-se pipoca do Sr. Nene; professores Orlando, Mafalda, Ruth, Maria da Penha, Tereza Cola e outros; passava todos os dias em frente ao antigo Cemitério; tinha feira às sextas-feiras, lojas e comercio em redor da Escola Carlos Gomes; Cemitério Antigo; Loja São Jose; Casa Paratodos do Sr. Hermes; Agência de revistas do Sr. Nicola, que depois passou para o Sr. Mario chamando-se Agencia Leda; Droga Luz dos Piassi; Cartório de São Miguel; Foto Cinelândia e o Posto Telefônico.

No posto telefônico eram as telefonistas que completavam as ligações, em casa o telefone tinha uma manivela, gira-se a manivela para telefonista atender e ela que fazia as ligações, às vezes demorava horas para completar “gozado hoje, mas era assim naquele tempo". Quem poderia imaginar e nem se pensava que em pouco tempo teríamos telefones digitais que nos ligam ao mundo, celular, internet, etc. Lembro-me do Banco Moreira Salles e Mercantil, Cine Lapena, Cine São Miguel, Padaria Estrela, Padaria Monte Castello, e na esquina da Rua da Estação com a Rua Miguel Ângelo Lapena tinha um armazém que do Sr. Jose Caldini e um ponto de carroças de aluguel.

Lembro-me da vidraçaria São Jose que tinha uma Rural Willys vermelha, que ainda está rodando até hoje por São Miguel. O antigo Grupo Escolar Carlos Gomes funcionou, se eu não me engano, até 1963, quando foi inaugurado o novo prédio na Vila São Silvestre, para onde eu me mudei em 1964, as ruas não tinham asfalto, eram de barro vermelho. Construíram a rede de esgoto e a molecada entrava nas galerias fazendo a maior algazarra, era uma farra. Naquela época para se entrar no ginásio fazia-se um curso de admissão, eu fiz com a Dona Edila Dotori, o Hugo e o Miroti, em uma pequena salinha na casa deles, depois o nome Dotori, virou símbolo de ensino em São Miguel.

Entrei depois do curso de admissão no Ginásio Rosevelt Freire, atual Dom Pedro, e desta época me lembro da diretora Dona Deise; do secretário Teixeira; do seu Bento e Mozar inspetores de alunos; dos professores Orlando, Olintho, Osvaldo, Enio Dentista, Anfiteatro; das aulas de Educação Física, onde se jogava handball, futebol de salão e basquete; da cantina do Sr. Milton onde se comia cachorro quente e quem não tinha dinheiro comia pão com molho. Frequentava-se o Clube da Nitro que tinha barcos no Rio Tietê, pescava-se e nadava-se no Rio limpinho.

Brincava-se no playground do Clube, onde até o fechamentos os brinquedos eram os mesmos, nadava-se nas lagoas da Vila Lapena que eram limpas, o Rio Tietê passava perto da linha do trem, depois mudou com a construção da Rodovia dos Trabalhadores, nadava-se no Rio Tietê na ponte de Madeira onde hoje é o Casteluchi, pescava-se “guaruzinhos” na Vila Jacui onde hoje é o Morumbizinho, andava-se de cavalo nos campos do Alto Pedroso e caçava-se rãs e íamos pegar cogumelos no Parque Paulistano.

Na Rua Serra Dourada ficava o posto do Correio, Dona Vanja, a casa do tenente e muitas outas residências, a cantina tabajara, a antiga Delegacia na Rua Dr. Felix, hoje Aldo Piassi, tinha o Delegado Gravatinha que todo mundo tinha medo, o pronto socorro ficava próximo ao cine Lapena, o posto de saúde ficava na esquina da Avenida Pires do Rio com a Crizolita Rodrigues, o posto de alistamento militar ficava na Praça Getulio Vargas, o posto do departamento de trabalho ficava na Rua Tenente Luiz Fernando Lobo, onde se tirava carteira de trabalho, que não se lembra do Sr. Pedro do posto de trabalho, do campinho que tinha, onde hoje é a delegacia, da feira antiga no começo da Pires do Rio, do cemitério velho.

Frequentava-se a igreja velha, eu conhecia o Padre Aleixo, que fez casamentos e também me batizou, conheci o Padre Segundo Pioti, quem se lembra do Padre Aristides que hoje já não é mais padre, tem um restaurante em São Miguel, era chamado de o Padre Brasa em razão do movimento da Jovem guarda , lembro-me do Bar do Piassi, hoje restaurante, vou falar uma agora que os mais jovens vão dar risadas " perto da Praça Padre Aleixo, no inicio da Avenida Marechal Tito, em frente, onde hoje estão construindo um posto de gasolina, existia um Estábulo/cocheira , onde quem tinha cavalo fazia AS ferraduras e fabricavam as roda de carroça e faziam os consertos, gozado, mas é verdade, sempre que passava por lá ficava olhando o ferreiro colocar ferraduras nos cavalos, bater o ferro quente, era muito interessante para mim".

Por falar em carroças lembrei-me de outro fato, pasmem os mais jovens, a coleta de lixo era feita por carroças que eram puxadas por seis burros e estes, após dez anos de serviços, se aposentavam e ficavam descansando até a morte ao lado do Cemitério da Saudade. Voltando ao Dom Pedro, onde estudei até 1968, recordo-me que tudo girava em torno dest, onde nos reuníamos: Estudantil, Chaparral, Festas Juninas, Correio Elegante etc. Existia poucas pizzarias, e o Nelsão, da padaria “hum”, fazia as pizzas mais saborosas da época, conversando com este disse-me que chegava a vender mais de 300 por final de semana, quem se lembra do Geraldo e Chico empregados do Nelsão.

Butique Meninas de Tranças do Mineirinho, amigo do nosso conterrâneo cantor Antonio Marcos que estudou no Dom Pedro, o pai do Antonio Marcos seu Vicente que vendia enciclopédia Barsa. Quem se lembra que a fábrica Nitro Química em seu auge chegou a ter quase 5.000 funcionários. Quem se lembra que a Nitro Química soltava um gás da fábrica de soda que ninguém aguentava o cheiro. Quem se lembra que a Nitro Química tocava os apitos nos seguintes horários: 6h30, 6h45, 6h55, 11h00, 11h45, 11h55, 16h00, 17h30, 21h30 e no ano novo apitava por mais de 15 minutos seguidos anunciando o ano novo.

Quem se lembra da Escola de Datilografia do Marcelino e a 7 de Setembro; do Bar do Basílio; do Bar do China; do Bar do Iko; do Bar do Sudo; da Loja Lar; do Berçário; do Senai; do Bar do Amilton no prédio do cine Lapena; do Reinaldo Automóveis; do Novelli Contabilidade, primeiro supermercado de São Miguel o Kofu na Avenida Marechal Tito, antigas e famosas Rua tês e quatro. Do Salão Hollywo dos gêmeos Amilton e Arilton; do Salão do Peninha e Cláudio; do Sr. Loyola alfaiate e Benevides Alfaiate; do Empório do Seu Monteiro e do Barão na Rua do Carlos Gomes; do Bar do Tonhão na Rua Diego Collado.

Restaurante Mikita, onde se via televisão, ajuntava-se toda molecada e ficávamos assistindo a luta livre, nacional kid, Bonanza, etc. e os mais velhos ficavam jogando dominó. O juiz de paz Sr. Alberto que casou São Miguel inteiro, e continua casando. A chocadeira na Rua Crizolita dos japoneses. Quem se lembra dos bailes da Nitro, conjunto fleuma, rtx e outros, do Seu João, Napoleão e Antunes que ficavam no meio do salão fiscalizando o baile e se você encostasse um pouco mais no seu par, eles separavam e davam o maior sermão, campinho de futebol onde é a delegacia, estas são minhas recordações de São Miguel Paulista,quantas saudades, espero que tenham gostado e se tiver alguma coisa errada me corrijam ou complementem mais fatos. Um forte abraço a todos.

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