Regiões do Brás e Bixiga

Dos prazeres que o homem sente, são os passeios pelas ruas e vielas da cidade que outrora receberam os imigrantes vindos principalmente da Itália para o trabalho nas lavouras do café. Os fazendeiros, mal acostumados com o tratamento dado aos escravos negros não supunham que imigrantes, embora sofressem, não aceitaria escravidão, nem exploração.

Sorte da cidade de São Paulo. Vieram com toda a força e se abrigaram em bairros da periferia de então, Braz, Moema, Mooca, Bexiga, Bom Retiro.

Imaginamos as dificuldades sofridas por eles, nos primeiros momentos até se adaptarem ao novo estilo, de agricultores a homens da cidade. De sua cultura os imigrantes que passaram por abusos de autoridade na Terra Mãe, sabiam e tinham forças para suportar. Fase que passou. Hoje mortos, mas deixaram exemplos de fé e de esperança, lutas.

Certamente esse povo se afeiçoou a festas, com a gastronomia a base de vinho e polenta, 'formagio' etc. Vivi esse costume com meus avôs. Não esqueço minhas origens. Assim posso compreender o ímpeto que vibrava nos corações dos 'italianos', do jeito esquentado, por temperamento. Também apreciavam o bom futebol. A maioria, claro, torcedores do Palestra, depois transformados em Palmeirenses, não sei porque essa derivação.

Falava-lhes dos prazeres de caminhar, passear pelas ruas de São Paulo. Penso que não há passatempo maior, para quem pode andar a pé, circulando pelas ruas desses bairros citados. Do centro velho, creio que o Braz e o Bexiga são os mais próximos. A cidade se desenvolveu e os antigos casebres, unidos uns aos outros foram dando lugar a edifícios, outros desapropriados ou cortados pelas obras de viadutos e de metrôs.

Cito a Praça da Bandeira, como porta de entrada do Bexiga bem próximo do Vale do Anhangabaú. Ai que saudades do tempo em que aí vivemos. Porque não vasculhei melhor a cidade e procurei saber do passado, e das histórias desses imigrantes?

E-mail: [email protected]