Ano de 1939. Na Europa eclodiu a segunda guerra mundial. O insano austríaco Hitler, no auge de sua loucura, apoiado por outro demente, o italiano fascista Benito Mussolini, resolver ser o "dono" do mundo. A eles juntaram-se as forças imperiais japonesas, formando o eixo do mal: A Alemanha de Hitler, Itália de Mussolini e Japão.
No Brasil, distante dessa confusão, o futebol era nosso principal esporte. O campeonato paulista, mais importante do país, tinha no chamado trio de ferro, formado por Societá Sportiva Palestra Itália, São Paulo Futebol Clube e Sport Club Corinthians Paulista, os times de maior expressão.
A guerra tomou uma proporção incontrolável com o avanço da Alemanha e Itália sobre a França e países de menor expressão. Os judeus foram as maiores vítimas, perseguidos e assassinados cruelmente. Em 1941, o governo do presidente Vargas resolveu organizar o futebol, criando o Conselho Nacional de Desporto. Entre as mudanças, surgiu a Federação Paulista de Futebol, em substituição a Liga de Futebol do Estado de São Paulo.
No ano de 1942, uma nova lei obrigou todos os clubes cujos nomes se referissem a outros países a mudá-los. Em Santos, o Hespanha tornou-se Jabaquara. Em Belo Horizonte, o Palestra Itália mineiro passou a chamar Cruzeiro Esporte Clube. Na capital paulista o Germânia virou Pinheiros. No Brasil Inteiro ocorreram muitas mudanças, pois os clubes que não aceitassem a determinação governamental poderiam ter seus estádios leiloados. Dizem que esse fato despertou o interesse do São Paulo Futebol Clube, que não possuía estádio próprio, sobre o Parque Antártica que é o estádio do Palestra Itália.
O presidente palestrino tomou uma decisão. Em março de 1942, mudou a denominação do clube: Palestra de São Paulo. Não adiantou. A pressão aumentou. Palestra e São Paulo se digladiavam pelo título. O time palestrino havia vencido no primeiro turno por 2X1. No segundo turno novo jogo foi marcado para 20 de setembro de 1942, um domingo. Dois dias antes a diretoria do Palestra resolveu acabar com a polêmica. Extinguiu o nome e a cor vermelha das cores do clube. Manteve Sociedade Esportiva, o P no distintivo e alteraram o nome para Palmeiras.
Assim, no domingo, a Sociedade Esportiva Palmeiras entrou em campo com seu novo uniforme, carregando a bandeira do Brasil, sob aplausos de toda torcida presente no Pacaembu. Foi um jogo histórico. Ao final o Palestra Palmeiras venceu por 3X0. No segundo tempo, aos 19 minutos, a equipe são-paulina retirou-se do campo, não concordando com a expulsão de seu zagueiro Virgílio, por jogo violento.
A mídia, na época, e os torcedores palmeirenses consideraram o tricolor como "fujão”. A FPF suspendeu S. P. F. C. por um jogo, válido pela última rodada, por atitude antiesportiva. O Palmeiras sagrou-se o campeão paulista daquele ano. Isso aconteceu faz, exatos, 70 anos e parte dessa história me foi contada por meu pai e endossada por meus tios italianos.
Lamentavelmente, a gloriosa história do Palmeiras tem sido "chamuscada" por dirigentes (in)competentes. Espero que a próxima diretoria, que deverá ser eleita em janeiro de 2013, consiga, após a inauguração da Arena Palestra, formar uma equipe forte e o torcedor possa encher o peito e gritar novamente:
– ”Olééé Pooorrrcooo!”
Lembro também aos “palestrinos-palmeirenses” que no dia 20 de setembro celebra-se o dia da Sociedade Esportiva Palmeiras, conforme lei 14.060 de 11 de outubro de 2005. Além da importante data, que alterou o nome desse magnífico clube, menciono dois fatos que considero importantes:
1951 – A conquista da Copa Rio no Maracanã, considerada na época um mundial de clubes.
1965 – Na inauguração do Mineirão, no dia 07 de setembro, representando a seleção brasileira, a Sociedade Esportiva Palmeiras derrotou a seleção uruguaia por 3X0.
Foi o único time brasileiro a vestir a camisa da nossa seleção, em jogo oficial. Esses fatos honram os torcedores dessa gloriosa equipe e, tenho certeza, que tempos de novas conquistas voltarão.
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