Região do Largo do Arouche

Estávamos morando em São Paulo e era o ano de 1967. Percorríamos a aquela região em busca de contatos com nossos conhecidos conterrâneos e lutando sempre pela sobrevivência. Já ruíam alguns tambores anunciando que, um dia, voltaríamos as nossas raízes, isto é, para o chão de nossa terra de origem. Éramos uns aventureiros sulistas percorrendo aquela grande cidade, a nossa Paulicéia querida.

Ali naquela confluência de vias públicas, um de nossos amigos era o gerente do estacionamento da Rua Aurora, bem no seu começo. De tanto freqüentar aquelas redondezas, já éramos conhecidos como os amigos do Alemão.

Geralmente, os nossos encontros aconteciam nos finais de semana. Íamos para lá e, já no adiantado da noite, acabávamos dormindo na pequena sala de trabalho do dono do estacionamento, onde o Alemão, que era o nosso cicerone, nos acolhia. Ele, o amigo, gozava de boa reputação e, como não havia estudado muito, só o suficiente, se virava como podia, em trabalhos desse gênero, o que, claro, exigia alguns cuidados com os veículos e seus manobristas e para cobrar o estacionamento.

Uns tantos fregueses eram mensalistas. Lembro de um em especial, o Amaury, calvo, jogador de basquete corintiano e da seleção brasileira de basquete.

Em frente ao estacionamento, uma casa de shows típica da noite paulistana, comandada pelo apresentador Sargentelli, o rei do pedaço, com suas mulatas cariocas semi-nuas. Um dos músicos da banda que tocava o atabaque era fiel companheiro de Alemão. Era um músico de cor parda, tinha as mãos bastante calejadas, em função da prática do instrumento de percussão que tocava, e se apresentava todas as noites. O Alemão era quem guardava o instrumento ali na sua sala de trabalho.

Então, faço este registro por dois motivos: um, para contar das noites paulistanas, e outro, destacar o Largo do Arouche, bem pertinho dali, que nos encanta até os dias de hoje.

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