O Sr. Felício Cândido Ferreira, meu avô por parte de mãe, nasceu em Jaboticabal, no estado de São Paulo, onde foi criado por seu avô que era o fundador daquela cidade. Ele fora criado num berço de ouro, onde tinha fartura de tudo. Dinheiro era o que não lhe faltava. Era um verdadeiro neto pródigo.
Mas como diz o velho ditado, “o que vem fácil um dia, se acaba fácil também”. Casado e com seis filhos, agora sem posses, migrou para a metrópole de São Paulo para tentar se recuperar financeiramente. Era o ano de 1941.
Exerceu as mais variadas das atividades profissionais: motorista de caminhão, eletricista, consertos em sistemas d'água de moradias, e outras vezes até atendia chamados de pessoas, que sabedoras das suas habilidades técnicas e manuais, o chamavam pedindo ajuda.
Na década de 50/60, tendo ele visto na loja da empresa em que o meu pai trabalhava, a Carlos Tonanni, uma máquina fabricada por eles destinada, a raspagem de tacos de madeira nos pisos dos escritórios e das residências antes da aplicação do revestimento polivinílico Cascolac ou Synteco, adquiriu duas delas e iniciou esse tipo de trabalho.
Em nossa casa na Vila Clementino, sublocamos nosso enorme quintal para a construtora David Primo Lattes, que construía pelo Brasil afora filiais do Banco do Comércio e Indústria, que hoje não existe mais, e o meu avô raspava os tacos e aplicava o revestimento, deixando os pisos brilhantes como que envernizados.
Eu, nessa época com 16 anos, ajudava meu avô, raspando manualmente os cantos das áreas lixadas, pois o rolo da máquina os deixava em bruto. Cumprida essa parte do trabalho nas madeiras, cabia a mim a limpeza dos azulejos respingados de tintas e os vidros de portas e janelas, o que eu fazia com um instrumento que criei com a colocação de uma lâmina de barbear da marca Gilette, Futebol ou qualquer outra do mesmo formato.
Tudo isto limpo, a última parte era a limpeza dos pisos, removendo-se os resíduos de cimento, usando-se uma solução de água e ácido muriático, parte essa feita só pelo vovô devido o perigo do contato com o líquido altamente corrosivo.
Este era o nosso trabalho para fazer as mansões e os edifícios desta maravilhosa grande São Paulo mantivessem sua formosura e sempre fosse lindo para todos que o admirassem sempre.
Meu último desse trabalho executado foi na agência do Banco Comércio e Indústria da linda rua XV de Novembro no centro velho. A sala da diretoria foi melhorada num fim de semana, devendo estar pronta para o início de expediente na segunda-feira. Iniciamos o nosso trabalho no domingo à tarde, após a saída dos pedreiros e trabalhamos sem interrupção até às 5h da manhã, quando tudo ficou pronto e o banco pode abrir as portas da diretoria ás 8h (este era o horário naquele tempo).
Honramos nosso compromisso de executar o trabalho com capricho e no tempo de manter São Paulo sem atraso para trabalhar para o seu engrandecimento próprio e do Brasil.
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