Música, poesia e romance, onde estão? II

Noite fria; na penumbra da minha sala meus pensamentos me fazem lembrar velhos temas do cancioneiro popular. Fecho meus olhos, imagino uma "junker-box", coloco uma ficha e os discos começam a rodar lindas pérolas musicais:

Primeira faixa. Francisco Alves diz:
"Beijei a tua boca e adormeci
Sonhei que era feliz junto de ti,
E vi nos olhos teus, linda criança,
A cor que simboliza a esperança…”

Segunda faixa. Silvio Caldas diz:
"Dorme, fecha este olhar entardecente
Não me escute nostálgico a cantar
Pois não sei se feliz ou infelizmente
Não me é dado beijando te acordar…”

Terceira faixa. Carlos Galhardo diz:
"Beijando teus lindos cabelos,
Que a neve do tempo marcou
Eu tenho nos olhos molhados
A imagem que na da mudou….”

Quarta faixa. Nelson Gonçalves diz:
"A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar
Nos teus olhos eu suponho
que o sol num doirado sonho
Vem claridade buscar…”

Quinta faixa. Vicente Celestino diz:
"Noite alta, céu risonho,
A quietude é quase um sonho
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
Em rarissímo esplendor,
Só tu dormes, não escuta
O teu cantor….”

Sexta faixa. Dalva de Oliveira diz:
"Que será
Da luz difusa do abajur lilás,
Que nunca mais virá a iluminar,
Outras noites iguais…”

Sétima faixa. Cauby Peixoto diz:
"Conceição, eu me lembro muito bem,
Vivia no morro a sonhar, com coisas que o morro não tem,
Foi então que lá em cima apareceu,
Alguém que lhe disse a sorrir
Que descendo à cidade ela iria subir…”

Asas horas avançam, a madrugada vem chegando, adormeço saudoso das músicas de antigamente, bons tempos, bons tempos…

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