Escrevi muitos textos a respeito de minha mocidade na boemia e sinto uma saudade imensa dos velhos tempos.
Posso dizer, sem falta modéstia, que fui um grande boêmio. Dos companheiros de boemia, oitenta por cento, infelizmente, já faleceu. Eu continuo com muita saúde, graças a Deus. Fui um boêmio que nunca fumou (incrível), bebia moderadamente, sabia aproveitar vida e nunca entrei numa confusão.
No Club Piratininga, eu frequentava os salões de bailes e jogos carteados. Era uma delícia, fora as boates que já comentei nos outros textos.
Eu adorava frequentar a boate Semba 50, do meu amigo Walter. Era ao lado da Igreja Santa Generosa, no bairro do Paraíso.
Aos sábados à noite, nós frequentávamos, na Avenida 9 de Julho, o baile Club Alvorada. Fora os bailes de carnaval (Palmeiras, Tietê, Arakan, Casa de Portugal, Club Holms)…
Era uma época romântica. Os homens sempre de terno e gravatas, cabelos bem penteados, sempre chiques.
Gostava de levar as namoradas num bar que tinha na Rua Augusta, na sobre loja, com meia luz. Chamava-se Tai. E também tinha a boate Savage na Treze de Maio, ao lado da loja Sears.
Eu não era rico, mas trabalhava para viver e ganhava razoavelmente. Dava para viver uma boa farra. Trabalhava de segunda à sexta-feira. Fim de semana era para jogar futebol à tarde e à noite ia “ao crime”. Bem, naquela época não existia motel; eu tinha um “matadouro” (uma kitchenette alugada com vários amigos).
Hoje, os jovens têm muito mais opções de divertimentos. Todos os jovens têm automóvel… Existem motéis, boates sofisticadas, paqueras pela internet… Hoje tudo é mais fácil.
Mas eu agradeço a Deus ou a sorte, por ter vivido uma mocidade maravilhosa. Hoje, com 69 anos (uma idade sem vergonha!), mais calmo, fico relembrando os bons tempos.
Na próxima encarnação, quero fazer tudo de novo. Valeu a pena ter vivido. Quero voltar novamente boêmio!
E-mail: [email protected]