Quermesse – São Vito do Brás

Anos 70, inverno, íamos passear nas quermesses do São Vito do Brás. Tínhamos um prazer muito grande, encontrávamos vários amigos, existiam muitas brincadeiras e também o pau-de-sebo, onde várias equipes disputavam para ver quem conseguiria pegar a bandeirinha colocada no final do mastro, era empolgante aquela cena das pessoas disputando completamente cheios de sebo: um escorrega por cima do outro e quando parecia que iriam conseguir pegar a tal bandeira, escorregavam, e todos iam parar no chão, era emocionante.

Tínhamos também as comidas típicas da Itália: pães, macarrão, queijos, vinhos e músicas italianas, um espetáculo, claro que ano a ano vamos perdendo os grandes amigos que vão morar no céu e fazem muita falta na terra, mas claro, vem seus substitutos: filhos, netos e irmãos e dão uma continuidade à vida. Lembro também do clube de futebol: o tradicional São Vito, onde tive o prazer de jogar. Jogávamos aos sábados à tarde, no Canindé, ao lado do campo da Portuguesa de Desportos, era um time dentro da várzea de São Paulo, considerado um dos maiores clubes da história do futebol da várzea, com uma torcida de italianos. O uniforme do São Vito era de uma beleza incalculável; tínhamos também as queimas de fogos.

No São Vito do Brás jogaram vários profissionais de futebol. Lembro de um festival feito na Rua Javari, onde jogaram São Vito do Brás e veteranos do Palmeiras e, no final, vencidos pelo São Vito por 2×0. Lembro de jogadores como: Nicola, Liminha, Wolney, Silvinho Quito, Rubinho, quatro irmãos grande amigos meus. Éramos uma família, tinha também meus grandes amigos: Adilson, Dadinho, Landinho, Pascoalzinho, Valtinho, Alemão, Zinho, Salgueirinho, Adhemar, Getúlio, Santiago e muitos outros. Sinto muitas saudades desse tempo, que infelizmente não volta mais. Tínhamos e temos, até hoje, empórios e empórios de comidas de todos os tipos, fora as pizzas que, aliás, nasceram na Itália e foram criadas no Brás. Outro dia, passando pelo Brás, senti muitas saudades desses amigos e percebi que também o bairro perdeu seu colorido, infelizmente. Sumiu a paz que existia no local. Mas, dentro de mim nunca vou esquecer-me dessa beleza que aconteceu na minha vida, de ter esse privilégio. Abraços a todos os amigos do Brás.

E-mail: [email protected]