Neste mesmo site, escrevi relembrando algumas histórias da Turma da Barão, mas um capítulo à parte foi o Colégio Boni Consili (Boni), que ficava uma quadra depois do nosso ponto de encontro, na Alameda Barão de Limeira, entre a Alameda Eduardo Prado e a Rua São Martinho.
Na época, gloriosa da Turma da Barão (1960/70), o Boni era e ainda é um colégio de freiras, mas naquela época só estudavam garotas, e cada saída de período era um "colírio" para os olhos dos garotos da Barão, apesar das garotas consideradas "feias" ou sem atrativo nenhum. Se alguém perguntar se era discriminação contra as feias, eu diria que sim! Apesar de que, entre os garotos, também tinham os feios e bonitos, mas o que chamava a atenção nos garotos eram os cabelos compridos (moda da época), a calça jeans justa, o sapato mocassim.
A maioria dos garotos não trabalhava ainda, então, quem estudava na parte da manhã saia correndo de sua escola para poder acompanhar a saída do Boni. Cada um de nós tinha as suas preferidas, assim como as garotas também tinham os seus preferidos. E na gíria da época, a "paquera corria solta", mas nem sempre acabava em namoro, porque naquele tempo era tudo mais difícil… Não existia a tal liberdade de hoje, poucos garotos gostavam de se "amarrar" (namorar), ficando preso a uma só, sem liberdade, e quando alguém da turma se envolvia com mais de uma garota, era obrigado a fugir das saídas, para evitar brigas entre "elas".
E assim, dia após dia, saída após saída, a rotina continuava e a paquera que corria solta chegava ao seu ápice no dia mais importante do ano, o dia da Quermesse, ou como diziam as Madres, o dia do juízo final.
Antes de citar os acontecimentos, preciso explicar a topografia do colégio, que ocupa um quarteirão inteiro, cercada por um muro bem alto, com a sede principal e as salas de aula praticamente no meio do terreno, uma quadra de esportes multiuso, rodeada de arvores e uma mata que ocupava praticamente todas as laterais do colégio. Não preciso dizer o que acontecia durante a quermesse fora do perímetro permitido pelas Madres, mas não… Não é o que os leitores estão pensando! Eu já tinha dito que os tempos eram outros. Assim, no escurinho acontecia, conforme gíria da época, o "malho", que nada mais era que uns beijinhos mais ardentes e suaves carícias.
Mas uma quermesse em especial não me sai da memória. Acho que era junho de 1967, eu tinha ganhado um boné igual ao que o cantor Roberto Carlos usava e, por alguma razão que a própria razão desconhece, resolvi usar o boné e entrar na Quermesse. Foi uma revolução, nunca em minha vida eu tinha feito tanto sucesso perante às garotas, que ficaram deslumbradas com aquele garoto cabeludo, com boné à la Roberto Carlos. Por onde eu andava, as garotas suspiravam; os garotos enciumados criticavam minha postura e as Madres olhavam desconfiadas, só faltou eu cantar.
Para quem já foi em alguma Quermesse, não preciso dizer que recebi um monte de recadinhos do correio-elegante, com as mais diversas propostas, assim como: propostas indecorosas, de namoro, casamento, etc. Fui diversas vezes preso e solto por solicitação de alguma garota e diversas vezes fui conversar no escurinho.
Mas as Madres tinham razão em ficarem desconfiadas: uma mulher mais velha do que eu resolveu que seria minha única companhia até o fim da Quermesse e, assim, despertou a ira no namorado e de seus amigos, que resolveram acabar com meu reinado e com a Quermesse, começando uma briga de turmas dentro do Boni e acabando na nossa esquina, onde a briga acabou pelo número elevado de integrantes da nossa turma.
O problema maior foi o paradeiro do meu boné, que sumiu durante a briga ou foi parar nas mãos de alguma fã.
E-mail: [email protected]