Quebrando a cara em Embú das Artes

Estávamos no limiar do ano de 1960 e não fazíamos longos passeios, pois a falta de um veículo era a realidade de quase todos. O sonho nacional era o fusquinha e a fila para adquiri-lo era desanimadora, fora a falta de recursos. Mesmo quem queria uma cor determinada, acabava levando qualquer um, pois as circunstâncias assim obrigavam, reflexo da baixa produção e da grande procura.<br> <br>Outros veículos vendiam muito pela alta demanda como o Renault Daupline "leite glória" e o DKW (Das Kleine Wundar, a pequena maravilha) com portas "suicidas" que abriam ao contrário das de hoje. Os veículos maiores Simca, Aero Willys, JK e importados eram só para os magnatas. Nossa maior alegria era quando papai trazia o carro da empresa em que trabalhava e o final de semana se transformava nas possibilidades de sair de Pinheiros (Rua Borba Gato, hoje Virgílio Carvalho Pinto) para almoçar fora, visitar Congonhas, ver vários primos, aprontar muito e em algumas ocasiões passear em Embú.<br><br>Nesta oportunidade fomos até Embú e aproveitamos, eu e meu irmão Alex, para levar os caminhões de madeira que havíamos acabado de ganhar. Os caminhões eram muito bem pintados, tinham os detalhes de faróis, lanternas e pisca-pisca. A ansiedade de chegar logo e começar a aproveitar os brinquedos era muito grande. Tão logo chegamos, saímos do carro e partimos para nossa correria. E quem muito corre se “estrumbica”! Quebrei a cara no chão.<br> <br>O local tinha os paralelepípedos muito irregulares e com vários buracos, na primeira corrida que dei, com o caminhão, a rodinha dianteira travou no buraco. O brinquedo ficou, e lá fui eu voando com a maçã do rosto servindo de freio para aterrissar no chão. Nem lembro direito como cheguei em casa, pois fiquei muito aturdido com a pancada. Lembro da gritaria de meu pai que queria me acertar por ter estragado tão cedo o passeio de todos; ao mesmo tempo minha mãe me acudindo e chorando, protegendo seu filhote. Passei pelo médico e depois fiquei por duas semanas sob o cuidado daquelas mãos sagradas de minha mãe.<br><br>O acidente nem me incomodava mais com todos os cuidados que recebia de Dona Zita. Mãe é bom demais! O melhor remédio do mundo para qualquer aflição, e não é receitado por nenhum médico. Aos que ainda têm o convívio com sua mãe, beijem e abracem muito, que terão dado o grande presente que ela esperava.<br><br>Grande beijo mamãe, junto com sua querida Santa Filomena e Jesus.<br><br><br>E-mail: [email protected]