Chegando neste Querido Brasil em 1929, vindo da Itália (Trento), papai, mamãe e eu filha única. Papai tocava acordeon no clássico. Ouvindo na época músicas mais populares dizia que no acordeon pode-se tocar músicas clássicas também e como tendo estudado com o Pietro Deiro em Nova York começou com 3-4 alunos. Na época de Angelo Reali, José Reali, Mario Mascarenhas e outros. Abriu escola de música com muitos alunos e foi aumentando com outros instrumentos como violino, piano, violão. Entre seus alunos estavam Danilo Tognolo, Elvira Sbrighi, Josefina Gorga e Tullio Collaciopo (hoje maestro) entre outros. Em 1946 fundando a U.B.A. onde foi crescendo muito, deu várias audições nos Teatros Municipal, Cultura Artística e outros. Audições com 60-80 acordeões no clássico. Uma orquestra verdadeira. Foi o auge para as senhoras de sociedade com seus instrumentos em madre-pérola brancos e vermelhos. A sigla U.B.A. – União Brasileira dos Acordeonistas, época de grande orgulho para o Professor e Maestro Franceschini (fundador). Continuou mais ou menos até 1975. Com idade, fechou as escolas da Praça Carlos Gomes e Tabatinguera e com a saúde mais fraca, ficou com poucos alunos em casa. Grande tristeza para mim quando veio a falecer em 1982. Ficaram as lembranças querida, dentre as quais sou grata a Escola Livre de Música na Lapa, com a Professora Renata Sbrighi, filha de ex-aluna de papai (Elvira Sbrighi). Nas suas lições usa muitos métodos e partituras de Franceschini. O Conservatório Musical Santana de Tullio Collaciopo também.
Papai tinha sonho de ver sua filha formada em piano, porém não realizou pois só fiz 3 anos e meio de estudo. Casei muito bem e só me dediquei ao lar e filhos. Hoje tenho remorso de não ter dado esse gosto ao meu querido pai. Vou ficando por aqui antes que a emoção me domine.
Sempre senti orgulho de ser filha do Maestro Franceschini. Paizão de Ouro!