Li, neste site, um artigo que comparava o Parque Fernando Costa, ou da Água Branca, a uma imitação de um barranco barrento, do interior de Minas.
É curioso como as visões das pessoas são diferentes. A Água Branca, como me lembro da primeira vez que lá estive, e já faz muito tempo, era um lugar bucólico e agradável. As construções amarelas, com um toque normando, permanecem praticamente idênticas, até hoje.
A primeira imagem que me vem de lá remonta a meus sete anos: estamos, meu pai, minha mãe e meu irmão, sobre as escadinhas que acompanhavam as águas, que desciam para o tanque, então cheio de peixes. Sobre a corrente, uma pequena ponte, cercada, como hoje, de plantas com raízes aéreas.
Meu pai, que trabalhava no Instituto Biológico, tinha recebido um convite para dirigir uma fazenda em Bastos, Tupã ou outro lugar dessa região, colonizada por japoneses. E discutia com minha mãe o perigo que isto podia representar, pois, com a segunda guerra recém- terminada, haviam ali associações fanáticas, como a Shindo-Remei, que não admitia a derrota do Japão, matando e agredindo pessoas.
O parque, ao contrário de hoje, era muito limpo e tranqüilo.
Havia um aquário pegado á arena das exibições, e mais tarde um museu de história natural, mais acima, perto do parque infantil.
O belo relógio de sol em mármore, agora finalmente restaurado, marcava a hora em várias cidades do mundo.
Sobre a velha torre do pombal, que vemos até hoje, uma rosa dos ventos indicava as direções, apontando para o futuro.
Que não seria tão ameno para o velho parque: na última visita que fiz, achei-o sujo, com obras incompletas, nada de melhorias e sim sinais de decadência. O mais grave: as águas, que dão nome ao parque não correm mais.
A fonte secou! A torrente que acompanhava as escadinhas de minha infância desapareceu, deixando um rastro ressequido, bem como no tanque seco.
Que é isso, minha gente! Deixem as águas rolarem, bem como fluir a esperança de dias melhores para nossa cidade. Que voltem as Águas Brancas!