Quando chegava o bonde

Tenho saudades do meu tempo de criança lá no bairro da Penha de França, onde nasci e cresci. Passei os melhores anos de minha vida brincando e correndo pelas ruas perto de casa, pedalando minha bicicleta, fazendo teatro de rua, festa de carnaval e de São João. Nossa, quantas travessuras fazíamos e criatividade é que não faltava para preenchermos nosso tempo de criança.

Era ainda pequena quando ia passear na casa de minha tia, que morava no Tatuapé. A condução que usávamos era o bonde, que saía lá da Praça Oito de Setembro. Neste dia, tudo era diferente e a festa começava antes de chegar ao nosso destino. Meu coração de menina batia forte quando chegava o bonde que nos levaria ao Tatuapé. Dele, era possível observar todo o movimento da Celso Garcia, porque era aberto e os bancos facilitavam conversas e início de novas amizades do bairro. Estes passeios eram sempre bem-vindos, pois eram divertidos e gostosos.

Com o crescimento de São Paulo e os novos tempos, o bonde foi tirado de circulação e os trilhos, substituídos pelo novo asfalto. Tomou conta sua majestade, o ônibus, e a Praça Oito de Setembro ganhou outro visual. Os passeios de bonde se acabaram e tivemos que nos habituar ao novo transporte, mas as lembranças dos passeios e dos bondes ficaram na memória.

Sou a favor das mudanças, e elas aconteceram para atender melhor a população. Pena que, atualmente, os meios de transporte ainda deixem a desejar, mas tenho esperança que um dia tudo fique mais equilibrado e o povo de São Paulo possa ganhar um transporte melhor do que o que temos no momento.

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