Procissão da Barra Funda

Havia duas muito importantes, na paróquia de Santo Antônio da Barra Funda, ainda com a antiga igreja, muito mais bonita do que a atual.<br><br>A procissão da noite de sexta-feira da Paixão tinha as velas acesas e era muito impressionante, com a figura de Jesus morto, as preces, a música fúnebre e o canto da Verônica.<br><br>Contrastando com a tristeza da sexta, no domingo de Páscoa, a procissão da ressurreição era algo grandioso e tudo acontecia muito cedo. Cinco horas talvez as pessoas já saiam nas ruas para bater nos postes de ferro com martelos e soltar rojões, anunciando que o dia ia clarear e Jesus ia renascer.<br><br>O coelhinho tinha passado lá em casa e deixado ovos de chocolate para a gente comer a semana inteira. Ovos de muitas cores diferentes e aqueles coelhinhos de chocolates, onde os coelhos sempre estavam de pé. Eles não eram nada parecidos com os primos do sítio. Ovos são símbolos do renascer.<br><br>O pessoal da igreja vinha na frente da procissão soltando centenas de rojões de vara. Lembro que, ao clarear do dia, Jesus aparecia na procissão glorioso, no meio da fumaça de tantos foguetes, vivo e com as mãos furadas da cruz.<br><br>Depois, em casa, muitos parentes e amigos vinham para um aperitivo e para conversar. Quase sempre ficavam as mulheres na sala e os homens na adega, comendo os sanduíches de linguiça do sítio e bebendo o vinho vindo de São Roque. Santo Rocco para os mais íntimos.<br><br>Almoço com muitos frangos e macarronadas para esquecer aquela semana de não poder comer carne. Depois do almoço, no Cine Paris íamos para assistir a mesma reprise de toda Páscoa, do filme mexicano da Paixão de Cristo, todo ano igualzinho e todo ano aguardado.<br><br>E-mail: [email protected]