Em 1960, quando eu tinha sete anos, fiquei desidratada e fui parar no Hospital Santa Cruz. Pudera, quase não comia e tomávamos ainda água do poço. Não pelo fato de não haver comida, mas sim por falta de apetite. Minha mãe ficava maluca, pois fazia pratos fantásticos e eu nada comia. Imagine, ela era filha de italianos e cozinhava divinamente; mesmo assim eu não comia nada.
Tínhamos um cachorro vira-lata chamado Biriba, que cresceu conosco. Onde eu ou minha irmã estávamos, ele estava atrás.
Fiquei internada no 3º andar do hospital, que naquela época era dirigido por freiras muito rígidas; e não é que meu cachorro subia as escadas e ficava deitadinho na frente da porta do meu quarto?
As freiras, então, pediam para que o meu pai tirasse o cão de lá, afinal o ambiente ficaria comprometido. E lá ia meu pai, com o Biriba no colo o levando até a rua.
Quando meu pai subia, encontrava o cachorro, de novo na porta do quarto. As freiras até se padeciam com tamanho amor e fidelidade, mas diziam ao meu pai que era impossível deixar o cachorro ali.
Os médicos que cuidavam de mim tinham que desviar do Biriba para entrarem no quarto. Uma situação constrangedora!
O meu pai pegava o Biriba no colo, descia, e quando subia de elevador, lá estava o cachorro deitadinho, pois subia apressado pelas escadas.
Esta situação perdurou por vários dias, até que a Madre Superiora foi conversar com meu pai. Decidiram então que o meu Biriba poderia ficar lá até eu ter alta.
Depois disso meu pai comprou um filtro de barro. Ah! Que água gostosa!
A história parece até as "pegadinhas" da televisão, mas foi isso que ocorreu.
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