Lendo a história do Colombi com a sua DKW rumo a Santos, veio-me a lembrança do meu primeiro carro que tive na década de 60. Para se ter uma ideia, para os meus filhos hoje em dia, o seu primeiro carro tem que ser “completo”. Nada de usado. Tem que ser zerinho. Para nós qualquer lata velha na época serviria. Para ir ao trabalho, eu apanhava o ônibus “Penha/Lapa”, na Celso Garciam, e descia na Praça Clovis. Todos vocês, digo a maioria de vocês, deve ter passado por isso. Aqueles ônibus lotados que mal dava para subir. O cobrador batia aquela moedinha nos suportes de ferro do ônibus, que era para o motorista fechar a porta…
Nós todos, espremidos como sardinha em lata, pisando um no pé do outro que não dava para sair do lugar… O cobrador gritava: “Para frente gente que temos que fechar a porta…” Mas como? De repente, o motorista dava aquela brecada que ninguém esperava que a metade dos passageiros quase fosse parar no colo dele. E ai fechava-se a porta.
O Banco onde trabalhei tinha uma frota de carros que fazia a entrega dos malotes nas agências, tendo mais 100 “fusquinhas” onde, todo final de ano, eles trocavam esses veículos usados por novos, renovando todas as frotas, vendendo a maioria dos velhos para os funcionários. A Volks começou a fabricar um "fusca" mais em conta na época, que foi apelidado de "Pé de Boi". O Fusquinha já não tinha nada de excepcional, como dizem no dia de hoje "completo". As partes "niqueladas" (maçanetas, frisos e os para-choques) passaram a ser pintadas, barateando o produto final, tendo o Banco aderido a esse modelo.
Pois bem colegas, em um final de ano consegui o meu primeiro carro, ou melhor, meu "Pé de Boi" por um preço (de pai para filho), o qual eu tive condições de pagar não me lembrando em quantas prestações foi financiado. Até completaria que o meu segundo carro também foi um fusquinha, modelo ano 72, em que a Volks trocou as lanternas traseiras pequenas por duas maiores, ganhando logo o apelido de "Fafá de Belém". Apesar de que, para a minha época, o carro significava “luxo”. Só era usado nos finais de semana, tendo a manhã todinha dos sábados para aquela caprichada no seu visual (lava, esfrega, lustra, assopra) sendo mais um troféu do que um utilitário.
No final das contas, olha nós lá dependurados todos os dias no Penha/Lapa a caminho do trabalho. Senhor, Senhor o de baixo é meu. Desculpe-me, é que o ônibus está tão cheio que mal consigo colocar o pé no chão.
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