Precursor do cartão de crédito

Em São Paulo por volta do final dos anos 50 e início dos anos 60, ainda não havia supermercados. As compras de alimentos, materiais de higiene e limpeza eram feitas em armazéns ou vendas, cada rua tinha sua venda e no bairro algum armazém de maior porte. Nas vendas geralmente comprávamos itens necessários para o dia a dia, tais como o pão e o leite, este era fornecido em garrafas de vidro, com uma tampinha de alumínio, tão puro e integral que se formava um selo de nata na boca da garrafa.

E no armazém fazíamos as compras do mês lá pelo dia 05, ia à família toda, era uma festa. Os cereais eram expostos em caixas de madeira com tampa de vidro, tudo a granel, arroz, feijão, fubá para a polenta e para o cachorro, pois só comiam angú e eram felizes.

Comprávamos no armazém do Sebastião, na Pompéia, este um hábil negociante, como todo bom mineiro. Tanto na venda quanto no armazém. A forma de pagamento era com a famosa caderneta. No dia da compra, pagava-se a conta do mês anterior e abria-se o limite para a nova compra.

E aí a habilidade do comerciante em oferecer novidades, que já vinham se apresentando, tais como: Cândida no lugar de Creolina, sabão em pó Rinso, no lugar do sabão em pedra. E não precisávamos mais do Anil para roupas brancas.

A grande novidade era a sandália Calipso, feita de matéria plástica, como se dizia antigamente para objetos feitos desse material, em várias cores, para mamãe e filhinhas, para azar do meu pai eram três, e o hábil vendedor falava:
– “Não se preocupe! Marcamos na caderneta e o senhor acerta no próximo mês”.

E assim voltávamos todos felizes para casa, onde o cachorro nos aguardava em estado de êxtase, pois já tinha a comida garantida por mais um mês. Aliás, sobre o cachorro tenho uma boa história, mas fica para a próxima.

E assim inventaram mais tarde o cartão de crédito e a renegociação da dívida.

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